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Saturday, August 23, 2014

Bienal Internacional do Livro - 23/08/2014

Hoje fui à Bienal do Livro depois de sei lá quanto tempo. Sentia saudade do clima de feira, dos estandes de editoras, e outras coisas assim.

Só depois que entrei no evento é que me dei conta de que NÃO tenho saudade do monte de gente, pessoas andando em movimento browniano pelos corredores, excesso de gente, sessões de autógrafos lotadas, gritaria, etc etc etc

Enfim. Demos uma passada por lá, que honestamente parece que não durou quase nada. Quando dei por mim estávamos indo embora e ainda não tinha visto metade do que gostaria... só não sei se é porque não tinha muita coisa mesmo ou se simplesmente passamos batido. A verdade é que com a grana curta também não dá pra ficar prestando muita atenção, porque a tentação de bibliófilo bate FORTE, e aí vai chegar aquela fatura ardida do cartão no mês seguinte...

Mesmo assim, estou planejando ir de novo. Como eu tenho a credencial de "profissional do ramo", A.K.A. professor, posso entrar quantos dias quiser (embora eu desconfie que o convite também permite a entrada em vários dias - quem souber dessa informação por favor me confirme). Desta vez, por motivos profissionais - preciso dar uma olhada, com mais calma, nos estandes de editoras de livros didáticos, ver o que há de novidades, tentar garimpar alguma cortesia, das editoras, alguma edição de avaliação, manual de soluções... mas alguma coisa me diz que estou esperando demais desta Bienal.

Friday, June 14, 2013

Gritar é fácil, mas...

As grandes cidades do Brasil estão passando por um momento difícil. Ainda não vou glorificá-lo como "histórico", como os mais afoitos já fazem, porque ainda não acho que seja justificável o rótulo. Mas basta dizer que quem não viu esse momento chegando lá em 30 de Outubro de 2007 esteve meio cego nesses últimos tempos.

O que eu acho mais irônico disso tudo é que eu não duvido nada que muitos dos que agora estão "levando bala de borracha" comemoraram loucamente a escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo. E, agora, convenientemente, mudaram de lado.

Pessoalmente eu sempre soube, desde o momento em que ficou claro que 2014 seria aqui, que isso era inevitável, e nunca escondi isso. Algumas pessoas me acusaram de ser "do contra", de torcer pelo pior, mas paciência. "Vocês vão ver quando estivermos perto da Copa", eu falei.

E estamos vendo, de fato; e o prisma tem muitos lados.

O Brasil é uma panela de pressão disfarçada de banho-maria. Por trás do aspecto jovial, amigável e tolerante sempre houve um conjunto de tensões internas muito violentas, basta olhar para a história do país.

A escravidão ainda é um espinho na garganta que não desapareceu, apesar da abolição 125 anos atrás. Sobrevive até hoje o racismo que supõe que quem não é caucasiano é inferior, mascarado por políticas paliativas e imediatistas que não atacam a raiz do problema.

A atitude padrão do brasileiro ainda é a mesma daqueles que atravessaram o Atlântico 500 anos atrás: explorar, tirar vantagem, enriquecer, sempre colocando o bem próprio acima do coletivo. Todo mundo ainda tem um pouco desse ranço. Por mais que os protestos estejam barulhentos, basta abrir olhos e ouvidos para o que acontece ao redor: ainda se valoriza o emprego concursado, o jeitinho, a vantagem. Ainda se despreza o trabalho duro, o estudo, a dedicação e, acima de tudo, a honestidade.

O que é realmente triste é que o que tem acontecido nos últimos dias é traumático, e pode não dar em nada.

É óbvio que não se trata de "apenas 20 centavos". Não precisa ofender a minha inteligência dizendo isso. Até os protestos na Turquia começaram por causa de um shopping center. Mas não é esse o ponto. Os 20 centavos foram uma espécie de estopim para a onda de protestos "vazar" do Facebook para a rua, refletindo a vontade das pessoas se sentir que estão fazendo algo de concreto "pelo bem da pátria". Mas só se ouve "se a tarifa não baixar a cidade vai parar" vindo dos manifestantes. Onde está o grito por uma justiça mais ágil? Onde está o grito pelo fim da carga tributária abusiva? Onde está o grito pelo controle da corrupção? Esses eu não ouvi; só vi mencionarem isso ex postfacto.

Por mais que digam que os manifestantes estão ali pacificamente, ninguém pode negar que sempre existem aqueles que se aproveitam da multidão para incentivar ou praticar aqueles impulsos mais obscuros de quebrar, pichar e vandalizar, escondendo-se atrás do "vândalo genérico" e escapando da punição. Ou vão dizer que os símbolos de anarquia ou a vandalização de monumentos é algo de natureza pacífica?

Mais ainda: não sei se faz realmente muita diferença quem começou as agressões, pelo menos no caso de ontem. A esta altura do campeonato (no pun intended), os ânimos estão exaltados de ambos os lados, com elementos individuais sentindo o desejo instintivo e natural de retribuir acusações (injustas ou não) com violência, num impulso quase animal de provar que está certo pela força. Numa situação dessas, manifestantes podem ir às ruas já esperando (ou até mesmo planejando) se ferir, e policiais vão às ruas já se sentindo acuados, sendo hostilizados, acusados de ignorantes e de coisa pior. Na saraivada de ofensas, quem está certo? De que adianta ofender e só depois oferecer flores? E de que adianta bater primeiro e perguntar depois, assumindo o papel de truculento?

No frigir dos ovos, enquanto os protestos não acertarem sua mira e procurarem atingir a raiz do problema, prefeitos, governadores e presidentes (juntamente com os demais agregados) estarão a salvo, pois estarão fora de foco e ainda poderão se esquivar. Gritar é fácil, mas para efetivamente provocar mudanças positivas será necessário um esforço muito mais eficiente. É necessário mais que gritar, é necessário procurar enxergar a situação além dos pontos de vista e dos preconceitos. Enquanto as pessoas ficarem só no estardalhaço, reelegendo os mesmos representantes, qualquer esforço será infrutífero. Em outras palavras, mantido o contexto, nada muda. No máximo, o ônibus volta aos ainda caros (e injustos) R$ 3,00, e a multidão se dispersará.

Monday, March 04, 2013

Relativity

...and in a flash it's already March.

So much has happened in the first two months of the year that it would be pointless to try and recall everything.

Let's just say that some things worked out, some things didn't. And, from all the trouble we had for the past few months, I hope we can manage to move forward and grow.

I am really trying.

Monday, January 28, 2013

Feliz 2013

É engraçado como as coisas são. A gente se vê dizendo que não quer algumas coisas, e de repente a chance de fazê-las aparece do nada, como se estivesse esperando a deixa.
É meio frustrante.
Ao mesmo tempo, é interessante esse esforço de não me ater a um plano rígido e imutável sobre o que quero da vida. Aprendi nos últimos anos que esse tipo de coisa só leva a decepções e frustrações, e que é muito mais produtivo aprender a se moldar ao caminho que se apresenta à nossa frente, aproveitando as oportunidades que aparecem.
Nada do que fazemos é realmente permanente. Isto posto, é importante saber dar valor a cada chance que temos de seguir em frente, de preferência se ela nos dá a opção de seguir fazendo aquilo que realmente gostamos de fazer.

Só uma reflexãozinha besta.

Tuesday, November 20, 2012

(In)Consciência Negra

Hoje, dia 20 de novembro, é dia da Consciência Negra, dia que será oficial em todovo país depois que a Dilma sancionou lei sexta passada. Pra mim, esse dia poderia muito bem se chamar "Dia Nacional do Racismo".

 Quero deixar uma coisa clara logo agora: não, não sou racista. E, se fosse, diria logo na cara, quem me conhece sabe disso. Acontece o seguinte: como já disse o Morgan Freeman, o melhor (único) jeito de deixar o racismo para trás é não falar dele.



Não dá para dizer que não existe racismo se as pessoas precisam de um dia pra pensar sobre a "consciência negra". Isso não acontece por decreto. Isso só tem chance de acontecer através da educação. E não é só através da educação formal, que a gente consegue na escola, mas também daquele tipo educação que anda tão raro hoje em dia, aquela que a gente traz de casa. Os pais largam a educação dos filhos na mão dos outros e o resultado são moleques mimados, mal educados e "politicamente corretos", com um discurso ensaiado de igualdade mas com uma mente corrupta. Educar não é fácil, mas é necessário. Mais ainda, não existe caminho absoluto no que se refere a isso, cada criança aprende de um jeito. Conheço pessoas que apanhavam por qualquer coisa que viraram ótimas pessoas e conheço outras que foram criadas de maneira "pedagogicamente correta" e são verdadeiramente insuportáveis.

Muito se fala que "somos todos iguais", mas escolhem um dia para separar uma "raça" e colocá-la acima das outras. Como se raça existisse! Muito fácil só dizer que raça existe quando favorece este ou aquele setor.

Esta, aliás, é a mesma discussão do "dia da mulher". É estúpido! A igualdade só será alcançada se as diferenças pararem de ser levadas em conta. E isso só vai acontecer quando as pessoas deixarem de dar importância a elas!

É realmente triste que negros tenham sido discriminados através da história. E os judeus, cristãos, árabes, ciganos, homossexuais, velhos, inteligentes, céticos e tantos outros? Tantas pessoas foram perseguidas por tantos motivos, então por quê em só um desses casos se procura tanto compensar isso? O passado é passado, e não vai ser mudado pelo que fazemos no presente. Mas o que fazemos agora vai afetar o futuro, e é isso que é necessário ter em mente. Um dia no qual um certo "tipo" de pessoa é elevado acima das outras é plantar as sementes para mais desigualdade. Criar condições desiguais agora não vai eliminar as desigualdades do passado, mas pode muito bem criar desigualdades no futuro.

Sunday, November 18, 2012

Hipocrisia?

Segundo a wikipédia, há 8 feriados nacionais no Brasil. Destes, 3 são de natureza religiosa. Mas, como a wikipédia não é exatamente uma fonte segura, vamos ver o que fala a Lei n° 10607, de 19 de dezembro de 2002:
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o O art. 1o da Lei no 662, de 6 de abril de 1949, passa a vigorar com a seguinte redação:
"Art. 1o São feriados nacionais os dias 1o de janeiro, 21 de abril, 1o de maio, 7 de setembro, 2 de novembro, 15 de novembro e 25 de dezembro." (NR)
Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 3o Revoga-se a Lei no 1.266, de 8 de dezembro de 1950, que declara feriados nacionais os dias que menciona.
Brasília, 19 de dezembro de 2002; 181o da Independência e 114o da República.
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Além disso há a Lei n° 6802, de 30 de junho de 1980, que institui o dia 12 de outubro, que também é religioso (Nossa Senhora Aparecida).

Entendo que, em um Estado laico, feriados não deveriam ser baseados em datas específica de alguma religião. Ao mesmo tempo, entretanto, é no mínimo exagerada a reação que vejo por aí contra a ação do MPE de São Paulo contra o "Deus seja louvado" nas notas de dinheiro. Algumas coisas são importantes de serem lembradas aqui:

Primeiro, "um erro não justifica outro". E daí se há feriados nacionais de natureza religiosa? Isso justifica a tal expressão no dinheiro? Quem usa essa justificativa para criticar a iniciativa do Ministério Público é que é o verdadeiro hipócrita.

Segundo, discute-se que "há coisas mais essenciais com as quais se preocupar", como se o Ministério Público só fosse capaz de executar um item de cada vez, como se não houvesse capacidade de agir simultaneamente em vários fronts.

Mas, vamos além disso: o laicismo deve ser completo. É inadmissível que a religião tenha influência sobre as ações do Estado moderno, por mais que a situação tenha sido diferente no passado. É importante lembrar que, embora o estado financie e patrocine coisas como o Museu de Arte Sacra ou orquestras que executem peças religiosas, esses casos incluem o fato de que tais obras são consideradas como arte, e mesmo o mais ferrenho dos ateus pode apreciá-las. São expressão cultural, não manifestação religiosa.

Isso posto, quero deixar claro que feriados nacionais não deveriam ter aspecto religioso, mas deveriam ter aspecto cultural. Mais ainda, algumas datas religiosas são mais arraigadas que qualquer religião, como por exemplo o Natal, que é uma data que precede a tradição cristã.

De qualquer forma, a existência de feriados religiosos reconhecidos pelo governo não pode ser justificativa contra a remoção de uma sentença religiosa do dinheiro. Se tanto, deveria servir para uma iniciativa pela remoção da oficialidade dessas datas.

Wednesday, November 14, 2012

Orgulho e preconceito

Esses dias encontrei um post muito interessante sobre a necessidade que alunos das carreiras de ciências biológicas têm de aprender matemática.

O autor tem alguns pontos muito interessantes, e a opinião dele faz todo sentido. E é preocupante que haja trabalhos científicos publicados com um grau de analfabetismo matemático assustador. Às vezes parece que as pessoas ainda vivem sob o preconceito de que, como biologia e matemática são disciplinas completamente separadas no Ensino Médio, elas devam continuar assim no nível superior.

Mas meu problema com esse post não é a argumentação dele; concordo com ela! Matemática é necessária em todas as atividades. Meu problema com esse post é algo que me incomoda em geral: a língua portuguesa.

Canso de ver todos os dias exemplos de erros absurdos de português, tanto de ortografia quanto de gramática. E, francamente, isso é ainda pior que analfabetismo matemático. Usa-se palavras difíceis, construções complexas e raciocínios elaborados, mas acentos graves continuam sendo mal usados, vírgulas são "tempero a gosto" e erros de ortografia passam despercebidos. Em vez de elaborado, o texto acaba parecendo pretensioso.

É o caso desse texto que mencionei. O autor comete vários erros bobos de gramática, e chega a ser irônico que num post sobre analfabetismo matemático ele acabe se mostrando um exemplar de analfabetismo linguístico.

O título deste post vem da reação do autor a uma observação dessa natureza. Em vez de admitir os erros e corrigi-los, ele preferiu suprimir o comentário.

Triste isso.