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Saturday, August 23, 2014

Bienal Internacional do Livro - 23/08/2014

Hoje fui à Bienal do Livro depois de sei lá quanto tempo. Sentia saudade do clima de feira, dos estandes de editoras, e outras coisas assim.

Só depois que entrei no evento é que me dei conta de que NÃO tenho saudade do monte de gente, pessoas andando em movimento browniano pelos corredores, excesso de gente, sessões de autógrafos lotadas, gritaria, etc etc etc

Enfim. Demos uma passada por lá, que honestamente parece que não durou quase nada. Quando dei por mim estávamos indo embora e ainda não tinha visto metade do que gostaria... só não sei se é porque não tinha muita coisa mesmo ou se simplesmente passamos batido. A verdade é que com a grana curta também não dá pra ficar prestando muita atenção, porque a tentação de bibliófilo bate FORTE, e aí vai chegar aquela fatura ardida do cartão no mês seguinte...

Mesmo assim, estou planejando ir de novo. Como eu tenho a credencial de "profissional do ramo", A.K.A. professor, posso entrar quantos dias quiser (embora eu desconfie que o convite também permite a entrada em vários dias - quem souber dessa informação por favor me confirme). Desta vez, por motivos profissionais - preciso dar uma olhada, com mais calma, nos estandes de editoras de livros didáticos, ver o que há de novidades, tentar garimpar alguma cortesia, das editoras, alguma edição de avaliação, manual de soluções... mas alguma coisa me diz que estou esperando demais desta Bienal.

Friday, June 14, 2013

Gritar é fácil, mas...

As grandes cidades do Brasil estão passando por um momento difícil. Ainda não vou glorificá-lo como "histórico", como os mais afoitos já fazem, porque ainda não acho que seja justificável o rótulo. Mas basta dizer que quem não viu esse momento chegando lá em 30 de Outubro de 2007 esteve meio cego nesses últimos tempos.

O que eu acho mais irônico disso tudo é que eu não duvido nada que muitos dos que agora estão "levando bala de borracha" comemoraram loucamente a escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo. E, agora, convenientemente, mudaram de lado.

Pessoalmente eu sempre soube, desde o momento em que ficou claro que 2014 seria aqui, que isso era inevitável, e nunca escondi isso. Algumas pessoas me acusaram de ser "do contra", de torcer pelo pior, mas paciência. "Vocês vão ver quando estivermos perto da Copa", eu falei.

E estamos vendo, de fato; e o prisma tem muitos lados.

O Brasil é uma panela de pressão disfarçada de banho-maria. Por trás do aspecto jovial, amigável e tolerante sempre houve um conjunto de tensões internas muito violentas, basta olhar para a história do país.

A escravidão ainda é um espinho na garganta que não desapareceu, apesar da abolição 125 anos atrás. Sobrevive até hoje o racismo que supõe que quem não é caucasiano é inferior, mascarado por políticas paliativas e imediatistas que não atacam a raiz do problema.

A atitude padrão do brasileiro ainda é a mesma daqueles que atravessaram o Atlântico 500 anos atrás: explorar, tirar vantagem, enriquecer, sempre colocando o bem próprio acima do coletivo. Todo mundo ainda tem um pouco desse ranço. Por mais que os protestos estejam barulhentos, basta abrir olhos e ouvidos para o que acontece ao redor: ainda se valoriza o emprego concursado, o jeitinho, a vantagem. Ainda se despreza o trabalho duro, o estudo, a dedicação e, acima de tudo, a honestidade.

O que é realmente triste é que o que tem acontecido nos últimos dias é traumático, e pode não dar em nada.

É óbvio que não se trata de "apenas 20 centavos". Não precisa ofender a minha inteligência dizendo isso. Até os protestos na Turquia começaram por causa de um shopping center. Mas não é esse o ponto. Os 20 centavos foram uma espécie de estopim para a onda de protestos "vazar" do Facebook para a rua, refletindo a vontade das pessoas se sentir que estão fazendo algo de concreto "pelo bem da pátria". Mas só se ouve "se a tarifa não baixar a cidade vai parar" vindo dos manifestantes. Onde está o grito por uma justiça mais ágil? Onde está o grito pelo fim da carga tributária abusiva? Onde está o grito pelo controle da corrupção? Esses eu não ouvi; só vi mencionarem isso ex postfacto.

Por mais que digam que os manifestantes estão ali pacificamente, ninguém pode negar que sempre existem aqueles que se aproveitam da multidão para incentivar ou praticar aqueles impulsos mais obscuros de quebrar, pichar e vandalizar, escondendo-se atrás do "vândalo genérico" e escapando da punição. Ou vão dizer que os símbolos de anarquia ou a vandalização de monumentos é algo de natureza pacífica?

Mais ainda: não sei se faz realmente muita diferença quem começou as agressões, pelo menos no caso de ontem. A esta altura do campeonato (no pun intended), os ânimos estão exaltados de ambos os lados, com elementos individuais sentindo o desejo instintivo e natural de retribuir acusações (injustas ou não) com violência, num impulso quase animal de provar que está certo pela força. Numa situação dessas, manifestantes podem ir às ruas já esperando (ou até mesmo planejando) se ferir, e policiais vão às ruas já se sentindo acuados, sendo hostilizados, acusados de ignorantes e de coisa pior. Na saraivada de ofensas, quem está certo? De que adianta ofender e só depois oferecer flores? E de que adianta bater primeiro e perguntar depois, assumindo o papel de truculento?

No frigir dos ovos, enquanto os protestos não acertarem sua mira e procurarem atingir a raiz do problema, prefeitos, governadores e presidentes (juntamente com os demais agregados) estarão a salvo, pois estarão fora de foco e ainda poderão se esquivar. Gritar é fácil, mas para efetivamente provocar mudanças positivas será necessário um esforço muito mais eficiente. É necessário mais que gritar, é necessário procurar enxergar a situação além dos pontos de vista e dos preconceitos. Enquanto as pessoas ficarem só no estardalhaço, reelegendo os mesmos representantes, qualquer esforço será infrutífero. Em outras palavras, mantido o contexto, nada muda. No máximo, o ônibus volta aos ainda caros (e injustos) R$ 3,00, e a multidão se dispersará.

Monday, March 04, 2013

Relativity

...and in a flash it's already March.

So much has happened in the first two months of the year that it would be pointless to try and recall everything.

Let's just say that some things worked out, some things didn't. And, from all the trouble we had for the past few months, I hope we can manage to move forward and grow.

I am really trying.

Monday, January 28, 2013

Feliz 2013

É engraçado como as coisas são. A gente se vê dizendo que não quer algumas coisas, e de repente a chance de fazê-las aparece do nada, como se estivesse esperando a deixa.
É meio frustrante.
Ao mesmo tempo, é interessante esse esforço de não me ater a um plano rígido e imutável sobre o que quero da vida. Aprendi nos últimos anos que esse tipo de coisa só leva a decepções e frustrações, e que é muito mais produtivo aprender a se moldar ao caminho que se apresenta à nossa frente, aproveitando as oportunidades que aparecem.
Nada do que fazemos é realmente permanente. Isto posto, é importante saber dar valor a cada chance que temos de seguir em frente, de preferência se ela nos dá a opção de seguir fazendo aquilo que realmente gostamos de fazer.

Só uma reflexãozinha besta.

Tuesday, November 20, 2012

(In)Consciência Negra

Hoje, dia 20 de novembro, é dia da Consciência Negra, dia que será oficial em todovo país depois que a Dilma sancionou lei sexta passada. Pra mim, esse dia poderia muito bem se chamar "Dia Nacional do Racismo".

 Quero deixar uma coisa clara logo agora: não, não sou racista. E, se fosse, diria logo na cara, quem me conhece sabe disso. Acontece o seguinte: como já disse o Morgan Freeman, o melhor (único) jeito de deixar o racismo para trás é não falar dele.



Não dá para dizer que não existe racismo se as pessoas precisam de um dia pra pensar sobre a "consciência negra". Isso não acontece por decreto. Isso só tem chance de acontecer através da educação. E não é só através da educação formal, que a gente consegue na escola, mas também daquele tipo educação que anda tão raro hoje em dia, aquela que a gente traz de casa. Os pais largam a educação dos filhos na mão dos outros e o resultado são moleques mimados, mal educados e "politicamente corretos", com um discurso ensaiado de igualdade mas com uma mente corrupta. Educar não é fácil, mas é necessário. Mais ainda, não existe caminho absoluto no que se refere a isso, cada criança aprende de um jeito. Conheço pessoas que apanhavam por qualquer coisa que viraram ótimas pessoas e conheço outras que foram criadas de maneira "pedagogicamente correta" e são verdadeiramente insuportáveis.

Muito se fala que "somos todos iguais", mas escolhem um dia para separar uma "raça" e colocá-la acima das outras. Como se raça existisse! Muito fácil só dizer que raça existe quando favorece este ou aquele setor.

Esta, aliás, é a mesma discussão do "dia da mulher". É estúpido! A igualdade só será alcançada se as diferenças pararem de ser levadas em conta. E isso só vai acontecer quando as pessoas deixarem de dar importância a elas!

É realmente triste que negros tenham sido discriminados através da história. E os judeus, cristãos, árabes, ciganos, homossexuais, velhos, inteligentes, céticos e tantos outros? Tantas pessoas foram perseguidas por tantos motivos, então por quê em só um desses casos se procura tanto compensar isso? O passado é passado, e não vai ser mudado pelo que fazemos no presente. Mas o que fazemos agora vai afetar o futuro, e é isso que é necessário ter em mente. Um dia no qual um certo "tipo" de pessoa é elevado acima das outras é plantar as sementes para mais desigualdade. Criar condições desiguais agora não vai eliminar as desigualdades do passado, mas pode muito bem criar desigualdades no futuro.

Sunday, November 18, 2012

Hipocrisia?

Segundo a wikipédia, há 8 feriados nacionais no Brasil. Destes, 3 são de natureza religiosa. Mas, como a wikipédia não é exatamente uma fonte segura, vamos ver o que fala a Lei n° 10607, de 19 de dezembro de 2002:
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o O art. 1o da Lei no 662, de 6 de abril de 1949, passa a vigorar com a seguinte redação:
"Art. 1o São feriados nacionais os dias 1o de janeiro, 21 de abril, 1o de maio, 7 de setembro, 2 de novembro, 15 de novembro e 25 de dezembro." (NR)
Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 3o Revoga-se a Lei no 1.266, de 8 de dezembro de 1950, que declara feriados nacionais os dias que menciona.
Brasília, 19 de dezembro de 2002; 181o da Independência e 114o da República.
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Além disso há a Lei n° 6802, de 30 de junho de 1980, que institui o dia 12 de outubro, que também é religioso (Nossa Senhora Aparecida).

Entendo que, em um Estado laico, feriados não deveriam ser baseados em datas específica de alguma religião. Ao mesmo tempo, entretanto, é no mínimo exagerada a reação que vejo por aí contra a ação do MPE de São Paulo contra o "Deus seja louvado" nas notas de dinheiro. Algumas coisas são importantes de serem lembradas aqui:

Primeiro, "um erro não justifica outro". E daí se há feriados nacionais de natureza religiosa? Isso justifica a tal expressão no dinheiro? Quem usa essa justificativa para criticar a iniciativa do Ministério Público é que é o verdadeiro hipócrita.

Segundo, discute-se que "há coisas mais essenciais com as quais se preocupar", como se o Ministério Público só fosse capaz de executar um item de cada vez, como se não houvesse capacidade de agir simultaneamente em vários fronts.

Mas, vamos além disso: o laicismo deve ser completo. É inadmissível que a religião tenha influência sobre as ações do Estado moderno, por mais que a situação tenha sido diferente no passado. É importante lembrar que, embora o estado financie e patrocine coisas como o Museu de Arte Sacra ou orquestras que executem peças religiosas, esses casos incluem o fato de que tais obras são consideradas como arte, e mesmo o mais ferrenho dos ateus pode apreciá-las. São expressão cultural, não manifestação religiosa.

Isso posto, quero deixar claro que feriados nacionais não deveriam ter aspecto religioso, mas deveriam ter aspecto cultural. Mais ainda, algumas datas religiosas são mais arraigadas que qualquer religião, como por exemplo o Natal, que é uma data que precede a tradição cristã.

De qualquer forma, a existência de feriados religiosos reconhecidos pelo governo não pode ser justificativa contra a remoção de uma sentença religiosa do dinheiro. Se tanto, deveria servir para uma iniciativa pela remoção da oficialidade dessas datas.

Wednesday, November 14, 2012

Orgulho e preconceito

Esses dias encontrei um post muito interessante sobre a necessidade que alunos das carreiras de ciências biológicas têm de aprender matemática.

O autor tem alguns pontos muito interessantes, e a opinião dele faz todo sentido. E é preocupante que haja trabalhos científicos publicados com um grau de analfabetismo matemático assustador. Às vezes parece que as pessoas ainda vivem sob o preconceito de que, como biologia e matemática são disciplinas completamente separadas no Ensino Médio, elas devam continuar assim no nível superior.

Mas meu problema com esse post não é a argumentação dele; concordo com ela! Matemática é necessária em todas as atividades. Meu problema com esse post é algo que me incomoda em geral: a língua portuguesa.

Canso de ver todos os dias exemplos de erros absurdos de português, tanto de ortografia quanto de gramática. E, francamente, isso é ainda pior que analfabetismo matemático. Usa-se palavras difíceis, construções complexas e raciocínios elaborados, mas acentos graves continuam sendo mal usados, vírgulas são "tempero a gosto" e erros de ortografia passam despercebidos. Em vez de elaborado, o texto acaba parecendo pretensioso.

É o caso desse texto que mencionei. O autor comete vários erros bobos de gramática, e chega a ser irônico que num post sobre analfabetismo matemático ele acabe se mostrando um exemplar de analfabetismo linguístico.

O título deste post vem da reação do autor a uma observação dessa natureza. Em vez de admitir os erros e corrigi-los, ele preferiu suprimir o comentário.

Triste isso.

Monday, November 12, 2012

"Comunicado de Encerramento" (não é o que parece!)

"Comunicado de Encerramento"...

li essas palavras ainda há pouco, na página de um concurso que estava prestando. Foi curioso ver esse anúncio, mas de certa forma senti uma certa satisfação.

Basicamente a mensagem desse comunicado disse que não houve nenhum candidato aprovado na primeira prova que foi aplicada, e por isso o concurso foi encerrado. Eventualmente ele será iniciado de novo, e supostamente outras pessoas vão se inscrever e, quem sabe, alguém finalmente seja aprovado.

Mas, de certa forma, não posso deixar de dizer:

bem feito.

A prova que foi aplicada forçou a barra. Uma coisa é eu não ter sido aprovado, e eu entendo que isso tenha acontecido porque meus conhecimentos de eletrônica nunca foram grande coisa (uma frustração minha, porque eu sempre quis estudar esse assunto e sempre procrastinei). Mas o ponto é que quando  31 pessoas se candidataram e nenhuma delas passa sequer na primeira prova alguma coisa está errada.

É compreensível que os responsáveis pelo concurso tentem configurar um nível de exigência que eles considerem alto, para ter certeza de que alguém bem qualificado seja selecionado. Entretanto, é necessário levar outros fatores em consideração, pois um exame exigente demais não vai filtrar, mas sim eliminar todo e qualquer candidato. No fim das contas, isso é desperdício de dinheiro público, pois mobiliza uma série de recursos e pessoas para um concurso infrutífero bem como do dinheiro dos candidatos, que pagam uma taxa de inscrição nada simbólica.

Não estou simplesmente ventilando a raiva por não ter passado: tenho consciência de que, se fui mal na prova, a responsabilidade (ou, pelo menos, a maior parte dela) é minha por não ter estudado o suficiente. Mesmo que não estivesse nem remotamente envolvido nesse concurso eu chegaria à mesma conclusão, de que esse concurso não foi levado a sério pelo(s) avaliador(es) responsável(is).

Eu bem que poderia continuar martelando nesse assunto, avaliando qual a função de uma banca de concurso, mas não é esse meu objetivo.

Thursday, May 31, 2012

Princípio da Mínima Ação

Eu sempre achei que seria o caminho natural, depois de fazer Física, fazer um mestrado, um doutorado, eventualmente um pós-doc e conseguir um emprego como docente. Cheguei até a sonhar em dar aula em alguma capital do nordeste, onde eu pudesse morar por perto da praia...

Aos poucos minha perspectiva sobre a pós-graduação foi mudando tudo isso. Já passei por tanta coisa desde a graduação que já não sei mais o que realmente pretendo fazer no futuro. E isso é um problema, já que estou começando a chegar ao fim da linha. Passei os últimos anos observando várias pessoas do meio acadêmico e às vezes a impressão que eu tenho é a de que é pré-requisito ser um neurótico incorrigível para ser docente universitário. Pelo menos, o exemplo que está fisicamente mais próximo é esse.

Eu odeio ser neurótico.

Também percebi que na realidade o que me atrai não é a vida acadêmica em si, embora ela seja atraente sob certos aspectos, mas sim a vida de laboratório, de colocar a mão na massa e mexer em instrumentação, quebrar a cabeça pra resolver um problema. Não ficar discutindo o sexo dos anjos. Ou, pior ainda, insistir no erro enquanto outras pessoas insistem que há uma maneira melhor de fazer as coisas só para, depois de ter perdido meses a fio inutilmente, chegar à mesma conclusão. Isso é foda.

Na hora de escolher um pós-doc, fico na dúvida, pois há outras coisas na minha vida que são muito importantes, e conciliar tudo fica difícil. É complicado fazer planos sem saber como estarei daqui a 5, 10 anos (sim, estou falando de planos de médio-longo prazo). Se eu tiver que escolher, como saber qual a escolha certa? Não é uma escolha fácil, e na verdade provavelmente não haja escolhas realmente erradas, mas no fim das contas, se uma coisa implicar em desistir da outra, é complicado colocar tudo numa balança e avaliar o que é mais importante.

Talvez chegue um momento na vida das pessoas em que elas precisam fazer essa escolha, e isso define muito do que elas serão dali em diante. Provavelmente eu esteja me aproximando dessa hora. Se for isso, é bom eu pensar muito bem no que eu realmente mais quero, porque nunca se sabe de verdade quando isso pode virar realidade. Uma coisa é certa: não é fácil se preparar para isso, afinal de contas se a escolha deve realmente existir então as condições para que eu possa seguir este ou aquele caminho devem existir; e isso implica em seguir em ambas as direções o maior tempo que eu puder. Seguir duas estradas diferentes é difícil, e são raras as ocasiões em que elas permanecem próximas por muito tempo.

De certa forma, até acho bom que isso tudo esteja passando pela minha cabeça agora. Encontrei uma coisa muito valiosa nos últimos 14 meses, e quero seguir em frente com ela. Sei que ela vai evoluir muito e que pode se tornar algo tão importante na minha vida a ponto de eu passar o resto dela assim. Ganhei uma perspectiva que nunca tinha imaginado sobre muitas coisas, e tenho percebido tudo de uma maneira diferente, o que me agrada. Começo a ver outras opções além do óbvio, e que embora talvez eu não consiga tudo que sempre quis, fazer concessões faz parte da vida, e vale a pena sacrificar algumas coisas para poder se ter outras.

Como sempre, é tudo uma questão de equilíbrio.

Wednesday, February 29, 2012

Sempre me pergunto qual o motivo de ainda manter um blog. Cheguei à conclusão de que não tenho assunto sobre o qual escrever, porque por mais coisas que estejam acontecendo ultimamente poucas são as que eu acho merecedoras de entrar aqui, já que não gosto de colocar coisas muito pessoais...
Vira e mexe eu penso em escrever sobre variedades, minha opinião nas notícias da semana, coisas aleatórias... sei lá. A verdade é que eu acho que ainda mantenho um blog porque sinto falta da rotina de escrever sempre, como eu tinha no colegial. Eu escrevia redações por esporte.
Outra questão é audiência. Não adianta nada escrever mil páginas por semana se não interessa a ninguém que venha aqui.
No último ano houveram mudanças muito importantes na minha vida, e talvez isso deva se refletir por aqui também. É um assunto a ponderar.
Meditate on this, I will.

Tuesday, February 14, 2012

Tradição quebrada

Sempre tive uma tradição, durante todo o tempo em que tive um blog: por mais que eu estivesse ausente e sem postar nada eu sempre fiz um post de fim de ano, fazendo uma espécie de balanço sobre o ano que terminava e falando das minhas espectativas para o ano seguinte.

Em 2011, quebrei essa tradição.

Não sei por quê isso acabou acontecendo; mas simplesmente me esqueci disso. Havia tanta coisa acontecendo no fim do ano que sinceramente não é nenhuma surpresa, para ser honesto. Entre a correria já natural do fim do ano, horários de trabalho malucos, idas e vindas do hospital e uma (merecida) semana de folga em Monteiro Lobato, a idéia de um post de fim de ano se perdeu no meio da confusão.

É uma pena que isso tenha acontecido, mas na verdade interpreto isso de outra maneira. Para mim isso parece com um sinal de que as prioridades na minha vida estão se alterando de maneira marcante; de fato, em 2011 aprendi muito sobre relacionamentos e a vida adulta, e acho que isso se manifesta na minha personalidade e nas minhas prioridades. Coisas que antes eram tão atraentes que eu mal conseguia me manter afastado se tornaram enfadonhas, enquanto outras às quais eu nunca dera importância começaram receber mais atenção.

Como ouço sempre, é "a vida como ela é"...

Friday, October 07, 2011

Quem não se comunica...

A internet é um lugar bizarro, onde as pessoas sentem a liberdade de fazer o que bem entendem, ao contrário da vida real, que, por ser uma realidade mais palpável, provoca vergonha em se tomar certas atitudes.

Um exemplo são as coisas que acontecem todo dia no Facebook. Recentemente muita gente tem trocado suas fotos de perfil por imagens de desenho animado que marcaram a infância. Atitude divertida, que comemora o dia das crianças lembrando que todos nós já passamos por essa idade da vida (embora haja casos de gente que já passou dos 40 e continue do mesmo jeito...). Antes do advento das redes sociais ninguém saía na rua usando uma máscara de desenho animado na época do 12 de Outubro... o que mudou?

Mudou a facilidade que as pessoas têm em se expressar. A noção de representatividade passa pelo conceito de "perfil", ou seja, uma página onde você fala dos seus interesses, idéias, compartilha links interessantes, perturba os outros com joguinhos de todo tipo. Em outras palavras, o perfil acaba sendo uma fachada, e é muito fácil se esconder atrás dessa fachada virtual; oportunidade que não aparece no mundo real. Então, as pessoas aproveitam para fazer justamente isso - se expressar.

Aos críticos desse tipo de serviço não faltam argumentos. Dizem que esse tipo de coisa é uma violação da privacidade, que esses sites usam as informações neles contidas para gerar listas preciosas de dados que muitas empresas pagam caro para obter, que qualquer pessoa pode ter acesso aos dados dos outros... enfim, a gama de respostas é tão grande quanto o número de pessoas que as protestam.

Pessoalmente acredito que "expor dados pessoais na rede" não é mais uma questão de opinião pessoal. A verdade é que, queira ou não, seus dados já estão na internet - de um jeito ou de outro eles vão parar lá. O que se pode fazer é tentar controlar tudo isso, justamente criando uma fachada onde se tem controle sobre o que aparece e o que não aparece - uma página de perfil.

Claro que isso é só mais uma opinião. Eu acho que os benefícios das redes sociais superam, de longe, os malefícios. No mundo de hoje, na verdade, elas são praticamente indispensáveis. Só por proporcionarem a oportunidade de manter contato com amigos distantes, ou mesmo encontrar, ainda que virtualmente, até mesmo os mais próximos, já vale a pena. A verdade é que, hoje em dia, não dá pra usar a internet sem aparecer um mínimo que seja na rede; mais que isso, atualmente a quantidade de recursos disponível on-line supera de tal forma o que se obtém através de meios mais tradicionais que quem prefere "não se envolver" fatalmente acaba ficando para trás. Nas palavras do imortal Abelardo Barbosa, "quem não se comunica, se trumbica."

Wednesday, October 05, 2011

RIP Steve Jobs

Ok, então Steve Jobs morreu hoje. De fato, é o fim de uma era - esse sujeito definiu o modo como vemos tecnologia hoje em dia, através de uma série de produtos inovadores, que introduziram conceitos que viraram padrão na indústria.

Através da Apple ele foi capaz de ser alvo da inveja dos outros fabricantes, a tal ponto que os recursos que apareciam nos produtos da companhia eram prontamente copiados pelos concorrentes. Amado pelos "macmaníacos" e odiado pelo mundo do PC, ninguém pode negar que o sujeito que foi demitido de sua própria empresa para voltar, triunfante, anos depois, deixa um legado inegável e deixa vazia uma posição de liderança que dificilmente será preenchida tão cedo.

Me pergunto o que será do futuro da Apple agora que seu Guia se foi - mesmo já afastado das atividades da empresa, agora a empresa - e sua nova liderança - terão que arriscar o vôo solo, sem contar com a rede de segurança que sempre esteve ali, "just in case".

Pessoalmente nunca fui fã das política draconianas da Apple, como a restrição nos formatos de arquivos de áudio suportados pelo iPod ou a resistência em adicionar suporte a Flash no iOS, mas é inegável a característica de inovação e criatividade que sempre foram a marca registrada dos seus produtos. Sem sentimentalismo, a ausência de Jobs não fará diferença nenhuma na minha vida. Mas o seu falecimento prematuro certamente será determinante no futuro da Apple e, consequentemente, da indústria da informática.

Thursday, March 03, 2011

Onward!

"Don't wait too long for the right reason, or else you might end up making the wrong choice."
-- me
I'm not completely sure about how that popped into my head. A couple of weeks ago I was doing... sometehing, and the words just came to me. Being completely honest I've been thinking a lot lately about what it means, and it probably just spontaneously formed from random thoughts I had in my mind.

It is about opportunities.

I don't really like to talk about personal stuff here; I'd rather leave it to when I'm face to face with the very few people with whom I actually feel close enough to talk about it. So I'm gonna try to keep things a bit superficial here.

When opportunity shows up we can't afford to hide from it. "Comfort zone" is just another name for a potential well: it's cool to just hang out there, vibrating in our fundamental frequency, but if you don't gain more energy to reach other levels and eventually go over the potential barrier you're never gonna see what's out there beyond the "event horizon", and that's bad because we grow when we are challenged, when there is a problem and we face it without fear. Each opportunity is a quantum of energy with the potential to help us overcome that barrier, but we only gain that energy if we actually interact with that quantum, or else it passes through and we are left none the wiser.

It takes a geek to come up with an analogy like that.

I could go on and on with it, but then I'd carve my way into other even less familiar topics but then the point would be kind of moot by then. I'd rather not end up with a null set (there, did it again).

I've been going through a quite... busy time in my life (in every sense) and what's curious about it is that it was caused by myself. It's something that began some time ago and for completely different reasons, but I've thought a lot about many things and now I see that one of the worst times of my life may have been also one with the best outcomes. Many opinions about people, places and events have changed a lot. It's all a big self-knowledge ride, really.

Bottom line, it feels pretty good to be finally moving forward.

Saturday, January 01, 2011

"Be always at war with your vices, at peace with your neighbors, and let each new year find you a better man."
--Benjamin Franklin

2010 began, as almost every year does, as a promise. A promise that good things would happen, that problems would be solved and forgotten and that nothing would go wrong. As usual, however, things did not go as I expected them to. Which was not a bad thing – not at all.

All in all, I dare say that 2010 has been the best year I have ever had. It has been, before all and above all, a year of enlightenment. Not in the religious sense, mind you, but in a personal sense, one which encompasses the way I see the world – and myself in it. In other words, I expanded my sense of perspective (even though no life form can have a full sense of perspective in order to exist).

Just the experience of living (even if just for a short while) in another country would have been enough to label 2010 as “a very good year”. I fell completely in love with Buenos Aires right from the very first day. Both day and night were calling out for me, and with a little incentive from a good friend I heeded that call, never looking back. I am glad I did. I had the good fortune of meeting some extraordinary people that made the city even more enjoyable, even if just for a couple of weeks – actually, even more so. And I met a different version of myself – one I intend to emulate more and more in the future, because I know it represents growth in a direction I want to follow.

But 2010 was more than Buenos Aires. This year was so good that the whole experience of living there took only one quarter of it (even though these things can’t really be measured). I took on traveling as one of those things that I live to do; I just couldn’t get enough of it. Visiting Paris, Chambon sur Lac, Buenos Aires, Colonia, Amsterdam and Foz do Iguaçu made me realize even more that knowing new places is something that never gets old for me. Having good friends to visit all over the world not only makes it even more interesting, but also serves as a good excuse to go. That said, places like Manchester, Slovenia and Hawaii made it to the top of my “to go” list.

I found within myself the strength to make some long-needed changes; that is my greatest achievement of 2010.

That is not to say, of course, that 2010 was a perfect year; I don’t expect to ever have a perfect year until the day I die. I had my share of problems, big and small.

I am grateful for each one of them, however. They were all opportunities for me to learn something about me or other people, and for a few times, both.

I admit I am a bit afraid of 2011; my expectations are a bit too high for it. And usually high expectations only end in disappointment. But if there is something I have learned in the past few years it is the fact that obsessing about things in advance is rarely a good thing; let 2011 come, and I’ll deal with it, for better or worse, one day at a time.

Happy New Year.

Thursday, November 18, 2010

Se eu morrer antes de você

Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles. Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase : "Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus!" Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxuga-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele.
Você acredita nessas coisas? Sim??? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Eu não vou estranhar o céu . . . Sabe porque ? Porque... Ser seu amigo já é um pedaço dele !

Vinícius de Moraes

Sunday, October 31, 2010

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Eu confesso: sou preconceituoso. Minha opinião de muita gente se viu transformada no momento em que eu descobria em quem votavam.

Depois de oito anos da mais pura baixaria eleitoreira, dos escândalos efusivamente negados, das piadas sujas jogadas na cara do povo brasileiro, os responsáveis foram hoje reconduzidos a mais um termo de quatro anos.

Não que a alternativa fosse espetacularmente melhor; o PSDB é o partido mais burro do Universo, e para mim está claro que não tem condições de governar até que aprenda a assumir o papel de oposição, até que deixe de ser covarde e tenha a coragem de assumir suas posições publicamente, sem medo da popularidade dos outros.

O resultado de hoje é mais um que confirma algo que sempre acreditei ser o caso do Brasil. Não somos um país com vocação para ser líder de coisa nenhuma, muito embora sejamos. Não somos um país com vocação para servir de exemplo para ninguém, muito embora sejamos. Não somos um país de todos, senão meramente uma nação de oportunistas e de cegos.

Claro, generalizo. Há muita gente com discernimento. Entretanto, cabem aqui algumas observações.

Cabe, por exemplo, mencionar que o que ganhou a eleição foi a noção de que os benefícios imediatos são mais importantes que os benefícios a longo prazo. Ficou claro, também, que coletivamente o povo brasileiro não apenas não tem memória (fato notoriamente conhecido) como também escolhe ser cego. E ficou claro principalmente que, "na média", o brasileiro não se importa com mais que o próprio umbigo.

Digo isso porque, para mim, essa é a mais pura verdade; o grosso dos votos da candidata do governo veio de gente beneficiada pelos programas sociais do governo. Não quero entrar no mérito da sua existência; estou meramente explicitando o fato de que a gente beneficiada por esses programas votou na candidata daquele que conseguiu assumir o posto de responsável pela "bonança" por que vem passando. Esses programas, bem ou mal, aumentaram a mobilidade social de muita gente, e, claro, essas pessoas não querem voltar ao nível onde estavam. Aí entram seus umbigos: não percebem que o mesmo programa que lhes sustenta nesse nível é fundamentado no trabalho daqueles que dão duro, já que o dinheiro que alimenta esses programas vem dos impostos que eles não pagam. E o que é pior, esses programas não lhes incentivam a procurar aproveitar a chance e melhorar a própria vida. E essa é a parte triste, porque continuarão patinando no mesmo lugar, agora rotulados como classe média: jogando PS3 numa TV de LCD, mas igualmente ignorantes. Mas piores ainda são os supostos intelectuais que fizeram a mesma opção: esses porque fizeram essa opção conscientemente. Entre esses, artistas, atletas e mesmo professores das melhores universidades do país.

Que uma coisa fique bem clara: não sou contra a mobilidade das classes mais baixas, nem contra seu acesso a itens de alta tecnologia. Nem sou contra as conquistas alcançadas pelo Brasil nos últimos 8 anos. Eu sou contra a apropriação desses fatos como sendo de responsabilidade exclusiva de um único governo, como se as condições iniciais não fossem importantes na determinação do estado de um sistema, por mais complexo que ele seja. De fato, quanto mais complexo mais influentes são as condições iniciais. Sou contra o fato de que se gerou uma crença generalizada no país de que as coisas boas foram conquistas do governo atual; e de que as coisas ruins foram herdadas do anterior, ou simplesmente inventadas pela "turma do contra". E me revolta, a ponto de me deixar sem apetite, o fato de que muita gente engoliu esse papo.

E me enoja, acima de tudo, o fato de que essa gente ter ganho a eleição com o apoio de gente que notoriamente vem chafurdando na lama e no esgoto há pelo menos vinte anos. Lama e esgoto esses que ajudaram a transformar a política brasileira na piada que é hoje.

Outro fator a favor da "hipótese do umbigo" foi a natureza da campanha eleitoral que (teoricamente) se acaba hoje (e que começou lá atrás, na campanha de 2002). Ambos os lados se recusaram a discutir propostas para o futuro do país; ambos estavam mais interessados em atacar com truculência e ignorância o adversário, agindo é claro como nada mais que sintomas daquilo que se passa na sociedade brasileira. Eleitores de um dos candidatos não estavam interessados em programa de governo, senão em jogar lama no adversário. Estavam (estávamos!) tão distraídos se divertindo com isso que não viram a oportunidade de transformar o Brasil de país do futuro em país do presente passar batida. Pior ainda, a candidata que representa a nascente terceira via, o caminho para quem não quer mais nem A nem B, depois que teve resultado surpreendente e positivo no primeiro turno, deixou que isso lhe subisse à cabeça, e resolveu se fechar em seu próprio pequeno mundo de cristal, rezando para que milagrosamente a razão fosse restaurada à campanha. Assim, mostrou seu despreparo e ingenuidade, e independente do resultado da eleição de hoje, torna-se minha a maior decepção com o contexto político brasileiro.

Por mais que as pessoas digam que votam contra certas coisas, independente do que sejam ou se são realmente tão importantes assim, na prática quando há somente duas opções (e não se enganem, num segundo turno há somente duas opções), se você vota contra uma está automaticamente votando a favor de outra. E, quando votamos em alguém, estamos votando não em uma pessoa, mas em um candidato. E um candidato é a soma daquela pessoa, de seu programa de governo, de seu partido e seu projeto de poder, e em todos que a apóiam.

Enquanto as pessoas não tiverem consciência do que seu voto representa, os candidatos e a política continuarão os mesmos. E, enquanto isso, o Brasil seguirá sendo o eterno país do futuro que nunca chega.

Por último, mas não menos importante, de uma forma mais íntima e pessoal o saldo dessas eleições para mim é negativo. Depois de alguma auto-análise percebo que, depois de tudo, sou agora um pouco mais cínico com relação a meu próprio país, e nada poderia ser pior.

Nos resta agora fazermos cada um a sua parte; quem sabe o milagre não vem?

Wednesday, October 06, 2010

Self-inflicted epiphanic subliminal message

Today was a particularly good day for me. The reasons are beyond the scope of this blog, so suffice it to say that an epiphany I achieved today during the afternoon made me understand a lot of the past decade.

I couldn’t really say much here without giving away a lot of things I don’t want to, so I won’t.

Let’s just say that right now I’m going through a very important and delicate process of defining priorities and making very important decisions… while keeping several balls in the air.

This should be interesting…

In other news, I’m going to Buenos Aires again. I left a handful of good friends there and I can’t wait to see them all again.

Tuesday, September 07, 2010

The only thing that never changes is change itself

A month and a half after my last post, here I am with the feeling that it was a much longer time ago that I wrote that quick note about being half-way through with the year. And I still recall the feeling I had at that moment, that I don’t have a home.

Of course I have an address, and a place where most of my stuff is. But that’s not my home. It isn’t where I live; it’s just where my things are, and when I go there I feel more like a visitor than like a resident. The other place where I can get snail mail is ever farther away from being a home: it’s just a convenient place where I go to sleep.

That feeling is stil with me. But, for now, I just need to manage it as best as I can, because that’s the way things are; eventually I will get my own place.

Anyway, even though it’s been barely a month and a half since my last post it feels like so much more for a few reasons. The first and obvious of them is that a lot has happened since then; like my second visit to Europe, for instance, which was amazing. I visited a good friend that I hadn’t seen for years, got to know two beautiful cities, made some very important contacts with amazing people. There were some… mishappenings also, but I’d rather not talk about them. Let’s just say that sometimes certain people completely fail to understand my point of view.

There’s also been a lot of work; a trip to Rome that had to be cancelled; one historical moment when I met an amazing friend who is the bravest person I’ve ever met for doing two PhD’s simultaneouosly. And, more recently, a wonderful trip to Foz do Iguaçu, where the waterfalls presented me with one of the most amazing sights I’ve ever seen.

All in all, I believe this period of my life still has a lot to do with a kind of renovation that had a kickstart almost a year ago, and a great part of my thoughts go in the direction of trying to find my new identity.

Sometimes I wish it never ends.

Sunday, July 25, 2010

Half-way through

Even if I still couldn't manage to write a post here (even though there's plenty of things to write about) at least I finally mustered the willpower to change the layout back to the way it was before I went to Buenos Aires.

One thing I must say, though. At the moment there is not a place I can call home; nowhere seems to be my (0,0,0,0).

There is still almost half a year to go until 2011. Let's see what the next months bring my way...