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Friday, June 14, 2013

Gritar é fácil, mas...

As grandes cidades do Brasil estão passando por um momento difícil. Ainda não vou glorificá-lo como "histórico", como os mais afoitos já fazem, porque ainda não acho que seja justificável o rótulo. Mas basta dizer que quem não viu esse momento chegando lá em 30 de Outubro de 2007 esteve meio cego nesses últimos tempos.

O que eu acho mais irônico disso tudo é que eu não duvido nada que muitos dos que agora estão "levando bala de borracha" comemoraram loucamente a escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo. E, agora, convenientemente, mudaram de lado.

Pessoalmente eu sempre soube, desde o momento em que ficou claro que 2014 seria aqui, que isso era inevitável, e nunca escondi isso. Algumas pessoas me acusaram de ser "do contra", de torcer pelo pior, mas paciência. "Vocês vão ver quando estivermos perto da Copa", eu falei.

E estamos vendo, de fato; e o prisma tem muitos lados.

O Brasil é uma panela de pressão disfarçada de banho-maria. Por trás do aspecto jovial, amigável e tolerante sempre houve um conjunto de tensões internas muito violentas, basta olhar para a história do país.

A escravidão ainda é um espinho na garganta que não desapareceu, apesar da abolição 125 anos atrás. Sobrevive até hoje o racismo que supõe que quem não é caucasiano é inferior, mascarado por políticas paliativas e imediatistas que não atacam a raiz do problema.

A atitude padrão do brasileiro ainda é a mesma daqueles que atravessaram o Atlântico 500 anos atrás: explorar, tirar vantagem, enriquecer, sempre colocando o bem próprio acima do coletivo. Todo mundo ainda tem um pouco desse ranço. Por mais que os protestos estejam barulhentos, basta abrir olhos e ouvidos para o que acontece ao redor: ainda se valoriza o emprego concursado, o jeitinho, a vantagem. Ainda se despreza o trabalho duro, o estudo, a dedicação e, acima de tudo, a honestidade.

O que é realmente triste é que o que tem acontecido nos últimos dias é traumático, e pode não dar em nada.

É óbvio que não se trata de "apenas 20 centavos". Não precisa ofender a minha inteligência dizendo isso. Até os protestos na Turquia começaram por causa de um shopping center. Mas não é esse o ponto. Os 20 centavos foram uma espécie de estopim para a onda de protestos "vazar" do Facebook para a rua, refletindo a vontade das pessoas se sentir que estão fazendo algo de concreto "pelo bem da pátria". Mas só se ouve "se a tarifa não baixar a cidade vai parar" vindo dos manifestantes. Onde está o grito por uma justiça mais ágil? Onde está o grito pelo fim da carga tributária abusiva? Onde está o grito pelo controle da corrupção? Esses eu não ouvi; só vi mencionarem isso ex postfacto.

Por mais que digam que os manifestantes estão ali pacificamente, ninguém pode negar que sempre existem aqueles que se aproveitam da multidão para incentivar ou praticar aqueles impulsos mais obscuros de quebrar, pichar e vandalizar, escondendo-se atrás do "vândalo genérico" e escapando da punição. Ou vão dizer que os símbolos de anarquia ou a vandalização de monumentos é algo de natureza pacífica?

Mais ainda: não sei se faz realmente muita diferença quem começou as agressões, pelo menos no caso de ontem. A esta altura do campeonato (no pun intended), os ânimos estão exaltados de ambos os lados, com elementos individuais sentindo o desejo instintivo e natural de retribuir acusações (injustas ou não) com violência, num impulso quase animal de provar que está certo pela força. Numa situação dessas, manifestantes podem ir às ruas já esperando (ou até mesmo planejando) se ferir, e policiais vão às ruas já se sentindo acuados, sendo hostilizados, acusados de ignorantes e de coisa pior. Na saraivada de ofensas, quem está certo? De que adianta ofender e só depois oferecer flores? E de que adianta bater primeiro e perguntar depois, assumindo o papel de truculento?

No frigir dos ovos, enquanto os protestos não acertarem sua mira e procurarem atingir a raiz do problema, prefeitos, governadores e presidentes (juntamente com os demais agregados) estarão a salvo, pois estarão fora de foco e ainda poderão se esquivar. Gritar é fácil, mas para efetivamente provocar mudanças positivas será necessário um esforço muito mais eficiente. É necessário mais que gritar, é necessário procurar enxergar a situação além dos pontos de vista e dos preconceitos. Enquanto as pessoas ficarem só no estardalhaço, reelegendo os mesmos representantes, qualquer esforço será infrutífero. Em outras palavras, mantido o contexto, nada muda. No máximo, o ônibus volta aos ainda caros (e injustos) R$ 3,00, e a multidão se dispersará.

Tuesday, June 19, 2007

Isso é que é diálogo

Comunicado CRUESP nº 04/2007

O Cruesp e o Fórum das Seis se reuniram nesta segunda-feira para dar continuidade à discussão da pauta de reivindicações formulada pelas entidades, na qual o ponto central era a política de assistência estudantil, tema do mais alto interesse dos alunos das três Universidades (USP, Unicamp e Unesp), cujo investimento na área já é, de longe, o maior entre as universidades brasileiras.

O Cruesp lamenta informar que a referida reunião foi suspensa em razão de nova tentativa de ocupação, por um grupo de estudantes, do prédio da Reitoria da Unicamp, onde os reitores e os representantes das entidades estavam reunidos.

Não se consumando a ocupação da Reitoria, os estudantes invadiram, no final da tarde, o prédio da Diretoria Acadêmica da Universidade, um órgão da Pró-Reitoria de Graduação cuja finalidade é prestar serviços aos próprios estudantes, zelando por sua vida acadêmica.

O Cruesp condena mais esse ato de violência praticado contra a universidade pública, sobretudo num momento em que, através do diálogo democrático e construtivo, se buscava consolidar programas de apoio fundamentais para os estudantes (em particular aqueles oriundos da escola pública) e para a vida acadêmica das três instituições.

A seqüência das negociações entre o Cruesp e o Fórum das Seis ocorrerá tão logo as atividades sejam normalizadas.

Campinas, 18 de junho de 2007.

CRUESP


E esse bando de delinqüentes, marginais e desocupados ainda diz que quer o diálogo.

Diálogo é o cacete! Eles querem é causar. Não passam de massa de manobra de partidos nanicos, irresponsáveis e extremistas.

Friday, May 11, 2007

A Reitoria e o Leopardo

Este post do Super no Stoa me fez pensar um pouco a respeito de alguns assuntos aos quais não venho dando muita atenção há tempos. Ultimamente, quando alguém começava a falar de manifestações, passeatas, invasões e todo esse tipo de baboseira de revolucionários de fim de semana, eu vinha dando o mínimo de atenção e simplesmente não me envolvia na conversa.

Só pra esclarecer, continuo assim.

O pensamento que o post incitou na minha mente foi a respeito de como certas coisas não mudam e me faz questionar a diferença que a invasão da reitoria da USP vai fazer.

Ao mesmo tempo, eu tento justificar para mim mesmo as minhas posições a respeito. Afinal de contas, por mais equivocados que sejam os esforços do "Movimento Estudantil", as intenções que as suas reivindicações aparentam ter são boas. No entanto, a história parece não cansar de se repetir: invariavelmente, o bandejão e o circular são os primeiros a parar de funcionar, seguidos por "manifestações democráticas" por parte dos estudantes(?): estardalhaço, cartazes de extremo mau gosto (e não raro mal escritos também) feitos de papel kraft, invasões de prédios da universidade, batucada (que atrapalha as aulas), carros de som para a "companheirada", et cetera. A lista não acaba mais. O ponto é que de democráticas essas manifestações não têm nada: invariavelmente trata-se de uma minoria atrapalhando a vida da maioria. E depois, quando ninguém vai com a cara do "movimento", seus integrantes dizem que as pessoas são "doutrinadas", "autoritárias", "anti-democráticas", e outros adjetivos não tão educados.


Cada vez eu tenho mais certeza de que tentar mudar as coisas na marra não funciona. Para quê ser um lemingue se se pode ser um leopardo?