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Wednesday, May 12, 2010

Intermission

Me caguei de rir ao ler essa mensagem que me chegou hoje (reproduzida ipsis literis):

EQUIPE MICROSOFT ® AWARD,
86 WAY MANDELA, ARMS pedreiros,
Southwark, London, SE1 5SE, Reino Unido.
JUNTA DE JOGO DA GRÃ-BRETANHA
PRÊMIO BALLOT LICENSED ONLINE
Prémio Microsoft sede internacional,
Categoria nove (9).
(Inscrição (8110933245).
Registado sob o, o ACT Protecção de Dados.
05 /12 / 2010
Trata-se de informar que você foi selecionado para um prêmio em dinheiro de R $1.000.000,00 (Um Milhão de Libras) de
programas internacionais, realizada em 11 de maio de 2010 em Londres, Reino Unido. O processo de seleção foi realizada
através de sorteio no nosso sistema informatizado de seleção de e-mail (ESS) de um banco de dados de mais de 250 mil
endereços de email, provenientes de todos os continentes do mundo.
Este Prêmio Microsoft Team WINNINGS programas é aprovado pela equipe do prêmio Microsoft e também licenciado pela Associação
Internacional de GamingRegulators (IAGR). O Prêmio Microsoft Team UK (MAT) foi instituído pelo Parlamento Europeu em 1994,
para dar subsídios a uma vasta gama de projectos que envolvam o património local, regional e nacional do Reino Unido. Nós
distribuímos uma parte do dinheiro arrecadado pelo prêmio nacional de boas causas.
Para iniciar o processamento de seu prêmio você deve contactar o seu gestor através de nossas reivindicações de agentes
credenciados Prémio Transferência a seguir indicados:
Sir Brian Washington
86 Way Mandela, armas pedreiros,
Southwark, London, SE1 5SE Reino Unido.
Tel: +44 701 114 0766
Celular: +44 702 403 4925
Email: mat.claims2010@live.co.uk
Contatá-lo, por favor, fornecer-lhe com o seu Número do Lote Lote: 2010MJL-667-01 e seu número de referência REF NO:
MAT/2010-33984512 Você também são aconselhados a fornecer-lhe as informações listadas sob o mais rapidamente possível:
ALEGAÇÕES DE FORMA REQUISITO
1.Name na íntegra ---
2.Address -
3.Nationality -
4.Age -
5. Sexo ---
6.Occupation -
7.Phone/Fax---
8.Present País ---
Adress 9.Email ----
10.Choice da Redenção:
(A) coleta de dinheiro no centro de Redenção, em Londres ----
(B) ao Banco Online ----------- Transferência Bancária
(B) entrega Cheque Wiining Por -------------- Courier
Se você não contato com o agente alega no prazo de 7 dias úteis da notificação, os ganhos seriam revogadas. Nossos vencedores
são asseguradas as normas máximo de sigilo e anonimato de imprensa até o final do processo, e além de onde eles assim o
desejarem. Os vencedores são aconselhados a manter seus dados vencedor / informação do público para evitar a alegação de
fraude
(IMPORTANTE) enquanto se aguarda a transferência de crédito / por Winner.
NOTA: Qualquer pessoa com idade de 18 anos é automaticamente desqualificado. Toda a correspondência devem ser enviados T0:
mat.claims2010@live.co.uk
Lembre-se, ganhando em todos os Esta terceira categoria não deve ser pedida até 24 de maio de 2010. Para evitar atrasos
desnecessários e complicações, citar o seu número de referência / lote em qualquer correspondência com a gente ou nosso
agente designado. Parabéns mais uma vez!
Fielmente,
Mr. Neil Bridge (MBE),
Coordenador Zonal.
Microsoft Team Promotion
Copyright © 2010 Prêmio Microsoft Promo /. Todos os direitos reservados.

Sunday, April 25, 2010

BsAs, HKI e NYC

Tempos atrás o meu destino mais desejado no exterior não era outro senão Nova York. A Big Apple sempre foi um dos lugares que eu mais quis conhecer. Mas, de uns tempos pra cá, essa prioridade acabou mudando bastante. No fim das contas o lugar que acabei conhecendo primeiro (descontando aeroportos) foi Helsinki.

Talvez fosse o impacto de estar do outro lado do oceano, talvez fosse a minha situação na época (que não vem ao caso)… mas a cidade me encantou. Isso não é segredo e a Finlândia me conquistou, independente de lembranças doces e amargas que trago de lá. E motivos não me faltam para que eu sempre queira visitar de novo, em particular um certo ponto em Suomenlinna que é muito especial para mim de uma maneira muito pessoal.

Mas estou me desviando do assunto. Abri este post tentando falar de Nova York por dois motivos. O primeiro é que no fim das contas nunca cheguei a visitá-la; a primeira chance que eu teria (agora em Julho) acabou não se concretizando e por isso a visita vai ficar para mais tarde. O segundo motivo é uma certa região de Buenos Aires.

O bairro onde estou morando, Recoleta, juntamente com Palermo, me lembra muito Manhattan. Agora, antes que aqueles que de fato já estiveram por lá me fuzilem, vou esclarecer uma coisa: muito embora eu nunca tenha estado lá, também não moro numa ilha deserta isolada do resto do mundo. E já vi imagens de lá em inúmeros lugares, como séries, filmes, jornais, e claro as fotos de amigos que visitaram a cidade. Não é a mesma coisa e é uma visão bem limitada, claro, mas dá uma idéia. E a verdade é que acho a Recoleta e Palermo muito parecidos com o que já vi de lá. Ruas quadriculadas, prédios residenciais antigos com cinco ou seis andares, cafés, restaurantes e lojas de todo tipo na rua, avenidas largas e cheias de carros, táxis e ônibus cruzadas por várias ruas menores e muita, muita gente caminhando. Até as entradas das estações de metrô são parecidas!

No fim das contas, estou achando BsAs um pouco menos parecida com HKI (Helsinki). O que de certa forma é natural, já que são cidades não apenas em países diferentes ou nem mesmo continentes diferentes, mas hemisférios diferentes. Mas ainda há algumas semelhanças incríveis, muitas das quais eu já mencionei em posts anteriores. Mas aos poucos as diferenças aparecem, e isso é inevitável, afinal de contas é tudo uma questão de tempo.

Uma coisa é certa. Não sei sobre Nova York, mas tanto Helsinki quanto Buenos Aires me deram experiências que nunca esquecerei. E algumas dessas experiências foram da mesma natureza de uma forma quase fantasmagórica. Talvez seja isso que deixe essas cidades tão próximas uma da outra.

Ainda quero conhecer Nova York e os EUA. E sei que, eventualmente, se o turismo não me levar à América do Norte algum congresso vai. Mas, por enquanto, ainda tenho quase dois meses de Buenos Aires e muita coisa pra ver. Mas a verdade é que vou estar sempre pensando nos meus próximos destinos.

Saturday, April 17, 2010

Argentinos e Brasileiros

Voltando à programação normal, queria falar mais um pouquinho de impressões que tive aqui no dia-a-dia. Originalmente o assunto de que eu queria ter falado no post completando um mês em Buenos Aires!

Uma coisa que pra mim ficou evidente muito cedo é que é uma coisa visitar um país por alguns dias e outra completamente diferente passar um período mais extendido de tempo nele.

Quando se passa somente alguns dias o cronograma geralmente é meio apertado: ou se está meramente a passeio e a vontade é ver o máximo possível já que o tempo é limitado ou então se vai a trabalho e aí o negócio é tentar ver pelo menos alguma coisa no tempo livre que se puder conseguir.

Quando a situação muda de figura e a gente se vê em algum lugar por alguns meses (ou mais, né @AlePacini? ;]) o risco é outro: deixar de visitar lugares pensando “posso ir mais tarde, vou ter tempo pra isso depois”. Esse risco é sério, afinal de contas quando a gente vê o tempo correu e não temos tempo pra ver nada; aí acabamos caindo na situação anterior.

Mas quando conseguimos evitar esse risco aí temos uma oportunidade fantástica: aproveitar ao máximo cada atração que quisermos, se a preocupação de sair correndo pra ir ver outra coisa no mesmo dia. Passear sem pressa, sem se preocupar com horário de chegar a outro lugar, nem nada disso. Afinal, há tempo para tudo. Pode-se ir a San Telmo num dia, passear pela Florida (a rua, não o estado dos EUA) no outro… planejar uma pequena viagem a Colonia del Sacramento… enfim, as possibilidades são inúmeras.

Mas a grande vantagem de se passar um tempo mais longo no mesmo lugar não é a chance de realmente aproveitar as atrações do lugar. A grande vantagem é deixar de ter aquela visão limitada à que o turista quase inevitavelmente fica preso quase sem perceber. É poder presenciar o dia-a-dia do lugar. E, assim, vê-lo como ele realmente é, e não apenas o lado dos passeios, festas e turismo.

Um fato curioso por exemplo é que as pessoas por aqui fumam muito. Mais preciso talvez seja dizer que muitos argentinos fumam. Sei lá por quê, mas o fato é que cheguei a ver um motorista de ônibus fumando enquanto guiava. Claro, esse foi um caso extremo; mas, ainda assim, é bem comum ver alguns cigarros ao olhar em volta enquanto se caminha pela calçada.

Outra coisa que notei (na verdade alguém comentou comigo e estou repassando) é que existem dois tipos de argentinos: os europeus e os latinos. Aqui a miscigenação foi menos intensa, e por isso os povos estrangeiros não se misturaram tanto com os nativos. Essa diferença fica clara ao se observas as pessoas nas ruas: parte delas tem traços muito parecidos com os das pessoas dos países andinos: pele mais escura, rosto mais largo cabelo mais escuro e estatura um pouco menor. A outra parte tem traços um pouco mais europeus, com pele clara, rostos mais finos. E, tenho que dizer, os narizes aqui quase sempre chegam na frente. Isto posto, é bom esclarecer que as argentinas não são exatamente mais bonitas que as brasileiras. Tampouco são menos bonitas. A diferença é que a beleza das brasileiras via de regra vem da miscigenação: a mistura genética advinda da grande quantidade de etnias presente no povo brasileiro gera um número enorme de possibilidades, e em uma população de 190 milhões de pessoas algumas dessas possibilidades se concretizam. O caso das argentinas é diferente: elas têm um certo ar de elegância latente, algo que emana naturalmente delas. Em outras palavras, mais uma vez a “vantagem” do Brasil está nos números: quantidade gerando qualidade. As argentinas são mais bem cuidades que as brasileiras, daí vem a beleza delas (o que, na minha opinião, é extremamente atraente). é bom lembrar que isto é uma generalização. Não só conheci argentinas que não se cuidam, mas vi algumas atrocidades caminhando pelas ruas (algumas pessoas por aqui acham engraçado abusar do bronzeamento artificial… ew.). E conheço brasileiras que se cuidam muito bem.

Outra coisa que me chamou a atenção é que aqui as pessoas têm um interesse maior pela política que no Brasil. Por lá me canso de ver gente que se orgulha por “não se envolver”. Aqui as pessoas conversam sobre o que acontece no parlamento, não sobre este ou aquele julgamento. Sejam eles partidários de Cristina Kirchner ou da oposição, eles fazem questão de ter opinião, e discutem o assunto nas rodas de mate ou na mesa do almoço. Não é à toa que o CQC nasceu aqui! A Argentina, senhoras e senhores, não é apática. E é essa a diferença fundamental entre ela e o Brasil. Não sei se isso é um fenômeno recente ou não, mas algo me diz que é. Depois de ter passado os últimos anos aos trancos e barrancos la nación está tomando jeito. E é deprimente ver que não apenas eles mas toda a América do Sul olha para nós procurando por liderança, e nossos líderes fazem amizade com as pessoas erradas. Me disse um conhecido paraguaio: “aonde o Brasil for a América do Sul vai atrás porque ninguém é besta de contrariar”. Espero que o Brasil acorde logo e perceba que está indo na direção errada.

Thursday, April 15, 2010

Primeiro mês

Anteontem completou-se um mês desde que cheguei a Buenos Aires.

Nesse meio tempo conheci muita gente de vários lugares diferentes, conheci muita coisa, experimentei outras. Aprendi muito. Corri riscos. Aprendi com erros do passado, procurei novos erros para cometer. Na verdade, este mês valeu por vários.

Uma coisa é certa - se vier a Buenos Aires, não ache que porque está perto do Brasil o seu banco vai ser de alguma ajuda. Previna-se de todas as maneiras que puder. Aqui há agências de vários bancos que são encontrados no Brasil: Itaú, HSBC, Citibank... mas não conte com usar seu cartão sem antes passar por alguma burocracia. Vá até sua agência, mostre seu cartão (e tenha certeza de que sabem qual tipo de cartão é o seu) e confirme se vai funcionar. Não saia sem a certeza de que está tudo em ordem. Não suponha que simplesmente tudo vai dar certo. Se você é cliente do Banco do Brasil saiba que, ao contrário dos outros bancos (que na verdade são contrapartes argentinas dos brasileiros), eles têm uma agência no Microcentro (San Martin 363, 2° andar) - mas não conte com ela para muita coisa. A menos que te aconteça um desastre, talvez seja uma boa idéia procurar a embaixada de uma vez para pedir ajuda. O segredinho sujo que o BB não conta é que, muito embora haja caixas eletrônicos lá, eles têm o saque desabilitado. Não só isso, mas a agência é corporativa, o que significa que você não vai poder entrar casualmente e pedir qualquer coisa ao caixa. Também é bom saber que se você é portador de um cartão de crédito e algo acontecer ao seu cartão, você estará em maus lençóis. Os carões de emergência que as administradoras mandam nessas ocasiões não são aceitos pelos bancos argentinos - deveriam, mas não são.

Minha dica é trocar seus reais por pesos antes de sair do Brasil e carregá-los em uma doleira. Se você for passar um período de tempo mais longo (como é meu caso), considere a opção de combinar com um amigo para ele te transferir o dinheiro via Western Union caso não seja possível usar seu cartão no exterior. A menos, é claro, que esteja vindo para trabalhar, aí o jeito é abrir uma conta num banco daqui mesmo. Fica a dica.

Eu queria ter feito um post diferente ao completar um mês na Argentina. A verdade é que estou adorando este lugar. Buenos Aires já é uma das minhas cidades preferidas. Meu próximo post será sobre isso. Infelizmente depois do que eu passei com relação a bancos e dinheiro nos últimos dias, achei que era importante dizer essas coisas. É realmente patético o fato de que, em um mês na Argentina, quem mais me ferrou a vida foi uma empresa do meu próprio país. Maldito seja, Banco do Brasil. Maldito seja.

Monday, April 05, 2010

Buenos Aires x Helsinki - round 3

Meu feriado de páscoa se passou, na maior parte do tempo, dentro de casa. Em parte porque o tempo não colaborou muito, e dias nublados favorecem minha preguiça. Ontem, entretanto, o sol apareceu um pouco e resolvi sair pra caminhar um pouco; já fazia algum tempo que eu queria voltar a Puerto Madero e dar mais uma volta por ali.

Depois de almoçar e enrolar um pouquinho acabei saindo de casa e pegando o metrô até a Praça de Maio (onde terminam/começam as linhas de metrô) e fui caminhando até a Puente de la Mujer, que é um dos cartões postais do lugar. Ela foi desenhada para representar um casal dançando tango.

From Chico en Argentina
Atravessando a ponte há uma pequena região com vários prédios corporativos novos, e uma pequena área residencial. Passando por ali tive uma grata surpresa: o Parque Mujeres Argentinas, mais um exemplo de como Buenos Aires é realmente um pedaço da Europa na América do Sul. Um gramado imenso, com muitas árvores e espaços amplos, com pessoas curtindo o domingo de páscoa. Lembrou um pouco o Parque do Ibirapuera, mas sem aquela fixação por funcionalidade - cada pedaço do parque paulistano parece ter sido projetada com algum objetivo específico. Aqui esse não é o caso: trata-se apenas de um espaço amplo e gramado onde as pessoas podem fazer um lanche, jogar bola ou simplesmente tirar um cochilo.

From Chico en Argentina
Dali fui para a Reserva Ecológica Costanera Sur, uma reserva natural "artificial". Digo artificial porque a ilha onde o parque se encontra foi construída com material retirado de prédios demolidos, bem como do desassoreamento do Río de la Plata, durante o regime militar. O lugar foi declarado uma reserva ecológica em 1986 e é o lar de várias espécies selvagens que normalmente não se encontraria em uma metrópole, como salgueiros e acácias e animais como flamingos, garças, patos e papagaios. Mas eu também vi uns preás por ali...
O fato curioso é que isso se encaixa bem com a impressão que tive quando cheguei aqui de que Buenos Aires e Helsinki são cidades parecidas. Buenos Aires tem a Costanera Sur; Helsinki tem Suomenlinna. Claro, há diferenças: no caso finlandês a ilha é natural, e é utilizada já há muitas décadas não somente para propósitos militares mas é considerada uma cidade separada de Helsinki. Entretanto, ambas foram "remodeladas", por assim dizer, para atender a propósitos turísticos e de lazer. Em ambas as pessoas vão passear com cestas de pique-nique, passear de bicicleta, caminhar... enfim, um típico programa de fim de semana, com alguns visuais muito legais (como o da foto acima) e uns pontos realmente muito agradáveis para simplesmente sentar e ficar sossegado, relaxando ou lendo um livro. Suomenlinna, é claro, tem mais atrações e é mais bem cuidada, mas por outro lado estamos falando da Europa, onde as coisas são em geral mais bem cuidadas mesmo - e mais antigas. Isso não torna a Costanera Sur um lugar menos interessante, diga-se de passagem. O lugar é muito bem cuidado, e tem vários pontos excelentes se o que você procura é um lugar sossegado, tranquilo e silencioso, com o som das ondas ao fundo. Mas não é parada obrigatória para quem vem a Buenos Aires.

Suomenlinna, por outro lado, é um must see para quem passa por Helsinki, assim como a feira do porto antigo e a região central da cidade.

Fecho este post com uma foto que tirei com o celular, e que mostra porque os Argentinos têm um excelente senso de humor: o adesivo da janela do metrô com o número de SMS para emergências.

From Chico en Argentina
Kunnes seuraava!

Tuesday, March 23, 2010

Impressões

Venho ruminando este post há alguns dias. A idéia é comparar Buenos Aires com São Paulo, mas em vez de uma comparação direta, vou fazer isso através das coisas que observei até agora.

Uma das primeiras coisas que notei foi a quantidade de táxis nas ruas. É realmente impressionante, para qualquer lado que você olhe dá pra ver pelo menos dois. Eles estão por toda parte. Em ruas mais afastadas do centro eles são menos comuns, mas ainda muitos.

Por falar em ruas, é notável a civilidade do trânsito aqui, certamente bem maior do que eu esperaria de uma cidade do tamanho de BsAs. Quem não está acostumado reclama - dizem que o trânsito é uma bagunça e que andar a pé é perigoso. Certamente não para quem está acostumado com São Paulo. É até meio estranho ver que os pedestres não têm nada a temer ao atravessar a rua quando estão na faixa e o sinal está aberto para eles: os carros param e esperam pacientemente até que seja possível passar. Ninguém reclama, ninguém buzina, quando muito vê-se uma cara feia. Mas eu não arriscaria atravessar fora da faixa ou com o sinal fechado - aí é pedir pra ouvir um monte. Até mesmo os outros pedestres te olham torto. Eu, com minha mania paulistana de andar sempre com pressa, já passei por isso.

Outra coisa notável sobre o trânsito aqui tem a ver com os pedestres. Aqui, como em qualquer lugar, há pessoas que andam devagar, pessoas que andam depressa, pessoas que correm, etc. A diferença é que todas se entendem. Ninguém liga se esbarrar em outra pessoa. É algo que acontece e eles entendem que nem todo mundo anda do mesmo jeito. Já vi gente sair no tapa em São Paulo por muito menos.

Em compensação, é mais difícil respirar por aqui. O ar é realmente mais sujo, muito embora a cidade seja bem menos movimentada. O problema, em grande parte, são os ônibus, que são muitos, velhos e mal-regulados em sua grande maioria. E não têm bilhete único.

Em contrapartida, nunca vi um ônibus sequer lotado a ponto de ninguém mais entrar. As pessoas fazem questão de sair do caminho, ninguém fica aglomerado na porta. E, mesmo que não haja bilhete único, a tarifa é muito barata - custa no máximo 2 pesos (pouco menos que 1 real). Eu disse no máximo porque essa é realmente a tarifa máxima - você paga de acordo com o lugar onde embarca e onde desembarca. É difícil ter certeza se todo mundo realmente paga o que deve, mas a impressão que fica é que ninguém está interessado em levar vantagem.

Aliás, tenho um "causo" pra contar sobre isso. Ontem eu estava voltando para casa e um rapaz notou que havia uma moeda de troco sobrando na máquina (os ônibus só aceitam moedas por aqui). Ele pegou a moeda, chegou pra moça que entrou antes dele no ônibus e perguntou "essa moeda é sua?", e a moça respondeu "acho que não". Os dois discutiram por uns momentos, nenhum dos dois querendo ficar com a moeda, que aparentemente não era de nenhum deles. No fim da contas a moça pegou a moeda e, em vez de ficar com ela, devolveu-a na máquina! Fiquei imaginando como isso teria se desenrolado no Brasil...

E encontrei um pequeno paradoxo por aqui também. Nos bairros mais "nobres" é comum ver as pessoas passeando com os cachorros. Algumas pessoas fazem isso elas próprias, outras preferem contratar "paseaderos" pra fazer isso. O resultado é uma coleção de várias cores, formatos e tamanhos nas calçadas. Como se isso não bastasse, é comum ver alguém jogando lixo no chão. Entretanto, aqui não vejo tantas latas de lixo como em São Paulo. O paradoxo vem agora: tirando as surpresas que os cachorros deixam pra trás, as calçadas aqui são mais limpas que as de São Paulo. Vai entender.

Por enquanto é isso. Não é tudo que tenho pra falar, mas o resto é tema para outros posts.

Hasta luego.

Monday, March 15, 2010

Mais passeio

Hoje saí à tarde de novo pra dar mais uma volta pela cidade, mas dessa vez fiquei mais por perto de casa. Queria dar uma volta pelas ruas próximas pra me localizar, ver como é o trânsito durante a semana, me acostumar com os nomes das ruas, essas coisas. Aproveitei pra ver onde ficam bancos, mercados, lavanderias, essas coisas. Com a minha sorte, é claro q não consegui o que queria no Itaú, vou ter que encher o saco deles pra ver o que há de errado.

From Chico en Argentina


Aproveitei também e fui caminhando até a Praça das Nações Unidas, onde fica um dos monumentos que são símbolo de Buenos Aires, a Floralis Generica, uma gigantesca flor de metal que se abre de manhã e se fecha à noite. Aproveitei pra descansar um pouco debaixo da sombra de uma árvore enquanto observava o movimento (muita gente vai pros parques e se espalha nos gramados, é bem legal).

From Chico en Argentina
Depois disso continuei andando, e aproveitei a proximidade pra visitar o famoso Cementerio de la Recoleta, que é provavelmente o primeiro lugar que os turistas vêem quando chegam aqui. É um lugar realmente impressionante, os mausoléus ali são imensos (várias fotos no meu Picasa) e muito decorados. Mas o mais visitado deles é um pouco mais humilde, e fica um pouco escondido em uma rua mais lateral do cemitério, embora dê pra perceber logo de cara porque sempre tem gente na frente, é o de Evita. É impressionante o poder que esse lugar tem, os argentinos realmente veneram essa mulher.

E agora, chega de passeio por enquanto. Por enquanto, a impressão de que BA e HKI são parecidas continua.

Buenos Aires

Cheguei a Buenos Aires no sábado. Foi tudo tranquilo, o vôo foi bastante sossegado, e cheguei sem problemas até o apartamento onde vou morar pelos próximos três meses. É bastante confortável, espaçoso e as pessoas são amigáveis.

Amanhã é que a coisa realmente começa, pois vou começar a trabalhar (espero) e a rotina vai realmente começar a se encaixar. Até agora tudo não tem passado de um fim de semana de passeio. Pelo menos a rotina do trabalho pode me ajudar a superar o estresse de estar em um lugar completamente diferente, sem pessoas conhecidas por perto.

O que posso dizer depois de pouco mais de 36 horas em Buenos Aires é que, realmente, estou na Europa Sul-Americana. É uma expressão meio estranha, mas bastaram algumas horas de caminhada pelas ruas daqui para eu me lembrar de Helsinki. Talvez seja apenas coincidência, mas a arquitetura daqui é inconfundivelmente européia, e Buenos Aires (assim como Helsinki) é uma cidade litorânea com uma zona portária recheada de parques. Certamente não toda ela, e salvas as devidas proporções. Além disso conheci bem pouco da costa propriamente dita (meu passeio por Puerto Madero foi bem rápido), mas pretendo mudar isso assim que possível.

Claro que tudo isso é apenas minha primeira impressão; conforme o tempo passar vou saber melhor as diferenças e semelhanças entre as duas, e no fim das contas pode ser que eu não ache as duas cidades nem remotamente parecidas. Essa sensação que tenho pode ser simplesmente devida ao fato de eu estar em outro país. Veremos.

Tuesday, February 16, 2010

Life Trek - Boldly Going Where I've Not Gone Before

Passarei os meses de outono em terras portenhas!

Durante os meses de março a junho estarei residindo em Buenos Aires, e com alguma sorte vou colocar aqui algumas notas sobre essa experiência. Quem sabe assim, pelo menos, dou uma justificativa mais honesta à existência deste blog. Não que eu espere receber muitas visitas, mesmo porque blogs sobre a Argentina e Buenos Aires não faltam (é só jogar no Google e você vai encontrar alguns ótimos, como Buenos Aires, queridos, Buenos Aires Dicas e o excelente Cartas Argentinas).

Por enquanto, é isso. Fiquei enrolando pra ver se saía alguma coisa que prestasse para escrever aqui, mas na falta de idéias é melhor não enrolar, senão acabo falando bobagem.

Tuesday, January 05, 2010

Feliz 2010; 2010 Feliz?

2009 para mim acabou oficialmente no início de dezembro, com o fim de uma história desgastante e complicada cujas origens ainda são nebulosas, e que provavelmente permanecerão assim. O detalhes dessa história merecem não ser contados aqui, mesmo porque trata-se do tipo de informação que está a salvo do caráter expansivo e intrusivo da Internet pelo menos até que Gaia se torne Galaxia.

Comecei o ano passado esperando que, depois do tumulto em que minha vida se transformara na segunda metade de 2008, tudo fosse diferente. Eu esperava que fosse difícil, pois as condições iniciais não eram boas, mas eu esperava que tudo seguisse um determinado caminho. O problema, que infelizmente percebi tarde demais, é que não adianta esperar que tudo mude, porque nada muda, exceto eu mesmo (e, consequentemente, a maneira como vejo o mundo). E, como não poderia deixar de ter sido, isso transformou 2009 em um pesadelo do qual eu não via saída. Passei pelos momentos mais difíceis da minha vida (em todos os sentidos).

A melhor decisão que já tomei foi procurar tirar algum proveito disso. Eu sabia que era a decisão correta a tomar, porque senão todo o sofrimento teria sido em vão, e eu acordaria do pesadelo tendo desperdiçado uma oportunidade que talvez nunca mais se repita. Por isso, fui em frente.

Saí de 2009 fortalecido, muito embora eu queira nada mais que esquecer o ano que passou. Na prática, é claro, isso não vai acontecer. Ele estará marcado para sempre na minha memória. E, de certa forma, isso é bom, pois não somos senão a soma de nossas lembranças.

2010 já começou, e embora eu não queira criar expectativas, sei que será diferente, porque, ao contrário de 2009, eu sei de onde deve vir a mudança.

Friday, December 04, 2009

Recebi no spam

O texto abaixo veio numa mensagem de uma pessoa de quem nunca ouvi falar, na qual meu endereço de email não estava… vai entender. Pelo menos a anedota é divertida…

> CONVERSA ENTRE DUAS AMIGAS MORTAS ( PREMIADA NO FIP DE 2009 EM PARATY)
>
>
> -Morri congelada.
>
> -Ai que horror !!! Deve ter sido horrível ! Como é morrer
> congelada?
>
> -Bom, no começo é muito ruim: primeiro são os arrepios,
> depois as dores nos dedos das mãos e dos pés, tudo
> congelando.
> Mas, depois veio um sono muito forte e eu perdi a
> consciência.
> E você, como morreu ?
>
> -Eu ?
> Morri de ataque cardíaco.
> Eu estava desconfiada que meu marido estava me traindo.
> Então, um dia cheguei em casa mais cedo, corri até ao quarto e ele
> estava na cama, calmamente assistindo televisão.
> Ainda desconfiada, corri até o porão para ver se
> encontrava alguma mulher escondida, mas não encontrei
> ninguém.
> Depois, corri até o segundo andar, mas também não vi
> ninguém.
> Então, subi até o sótão e, ao subir as escadas,
> esbaforida, tive um ataque cardíaco e caí morta.
>
> -Puxa, que pena...
> Se você tivesse procurado no freezer, nós duas estaríamos
> vivas!

Sunday, November 22, 2009

Fim de ano, #1

Sentado no sofá da sereia
com um livro ou um conto, e um café no ponto
espero cair, melancólica, a areia

Monday, November 09, 2009

The trouble with tribbles

Saturday, October 17, 2009

Google Wave, primeiras impressões

Comecei a usar o Google Wave há alguns dias.

Por enquanto, ainda há aquela sensação de entusiasmo com a novidade, a curiosidade de explorar cada aspecto do sistema novo. Mas algumas coisas já ficaram bem claras. A primeira delas é que o Google Wave deixa muito a desejar no quesito desempenho. Um computador um pouco mais antigo terá dificuldades em lidar com o sistema, que tem um tempo de resposta bem ruim, principalmente levando em conta as suas pretensões.

O sistema de "threads" é bem interessante. Não sei se ele será toda essa revolução que o Google tem alardeado por aí, mas ele certamente vai fazer a diferença. Mas a grande fonte da flexibilidade desse sistema, os gadgets e bots, ainda requerem muito trabalho. Os gadgets nativos do Google até agora funcionaram a contento, embora não tenham demonstrado muita desenvoltura. Os bots, ou gadgets feitos por terceiros, são outra história. Em geral eles mal funcionam, e alguns deles eu não consegui fazer funcionar de jeito nenhum. Boa parte do sucesso do Wave depende deles começarem a funcionar - e a funcionar bem. Não apenas do ponto de vista operacional, mas também em tratando-se simplesmente de adapatar a plataforma do Wave a um "modus operandus" adequado, de maneira a abrir possibilidades para que sistemas diversos possam ser integrados a um mesmo wave.

Ao mesmo tempo, uma das coisas que ficou imediatamente claras é que há certas coisas que foram equivocadamente associadas ao Wave. Por exemplo, não acho que seja possível - nem que faça sentido - integrar Google Reader e Google Wave. Pelo menos, não de maneira direta. Seria interessante um gadget que pudesse pegar um ou dois itens isolados do Reader para servirem como recurso dentro de um wave, mas algo além disso simplesmente não faria sentido.

Mais importante, a integração do Twitter ao Wave é precária, na melhor das hipóteses. Do jeito como está agora isso não poderia ser feito de uma maneira que não fosse impraticável. Isso, claro, supondo que Tweety the Bot funcionasse direito.

Mas, como diz o título ali em cima, estas são apenas primeiras impressões, e faz apenas uns dois dias que estou "na onda". Além disso, por enquanto trata-se apenas de um preview, e por isso tenho certeza de que muita coisa ainda deve mudar conforme o sistema for evoluindo, supondo que os desenvolvedores dêem ouvidos a quem já está "surfando".

Thursday, October 15, 2009

More a test than a post

Although this is more of a test than a real post, I wanted to put something here anyway.

It’s not easy coming up with stuff to write in a blog. Anyone who has ever had one knows it. Especially if it’s not a theme-oriented enterprise, but just some place where one would like to register a few thoughts about whatever topic comes to mind.

Of course, I could write about my work – but that would take too much time to write in a few minutes. Or, I could talk about my own personal issues, but they’re just that – personal. So, no. My whole idea about a blog would be to write about interesting stuff from my own point of view, but to be honest I haven’t been having much time for much…

Anyway, just as I was typing the last sentence above I received my invitation to Google Wave. So I guess now there’s something cool to rant write about!

Finally I will get the chance to try it out and see if the hype is deserved. Even though I would like to start “fresh” I am already assuming that the hype is deserved, based on what I’ve seen around the web.

Sometime soon I will post my first impressions about it.

Wednesday, October 07, 2009

Vida Senóide

Eu estava, ainda agora, olhando posts antigos aqui do blog.

Impressionante como as coisas mudam tão radicalmente no curto período de um ano. Em outubro de 2008 houve um único post aqui. Foi um texto de André Comte-Sponville, que vi pela primeira vez no pôster que foi exibido no casamento do meu irmão, no mesmo dia em que defendi meu mestrado, uma semana após a morte do meu pai.

Acho que nunca serei realmente capaz de descrever com propriedade a sensação de perder meu pai. Por mais que tenha sido, até certo ponto, algo previsto com alguns anos de antecedência, ainda assim foi algo para que não pude me preparar.

A verdade é que foi uma época tão conturbada na minha vida que sinto orgulho de, no fim de tudo, ter conseguido permanecer em pé.

Ironicamente, é justamente isso que me persegue agora.

A grande razão pela qual eu tive forças para seguir em frente, para não desistir e não baixar a cabeça, embora estivesse fisicamente longe, nunca estivera tão próxima de mim. Mesmo que fosse apenas um chaveirinho sem graça. Porque aquele chaveirinho era, naquele momento, tudo o que existia de certo e verdadeiro no mundo para mim.

Ainda assim, o tempo foi passando e a falta de contato direto aos poucos foi reclamando sua parcela. E quanto ele finalmente aconteceu, tudo ficou estranho. De repente a conexão que eu sempre achei que suportaria tudo se mostrou frágil. Pior, fragilizada. E agora me assombra a incerteza do que pode acontecer daqui pra frente, pra não falar da sombra do que aconteceu no passado.

Por um lado isso é até bom, essas situações nos levam a reavaliar as atitudes do passado, e assim passamos por aquele crescimento pessoal tão característico das épocas ruins.

Mudei muito nos últimos tempos, mas a pessoa que mais deveria ter visto isso não viu. E agora o que mais temo é ser julgado pelo que eu era, e não pelo que eu sou.

Friday, October 02, 2009

Rio 2016... so what?

Ok, então finalmente o Rio de Janeiro conseguiu emplacar uma candidatura e (provavelmente vencendo pelo cansaço) conseguiu ganhar a eleição de sede das Olimpíadas de 2016.

Por um lado, isso não deixa de ter um lado positivo (afinal de contas, alguma coisa de bom os eleitores devem ter visto pra decidir votar no Rio). Eu mesmo acho que existe uma pequena chance de isso trazer boas coisas para o Rio de Janeiro e para o Brasil em geral. Afinal de contas, os Jogos Olímpicos não são um evento "pequeno" como os Pan-Americanos. O mundo inteiro estará com os olhos voltados para cá. Isso significa uma de duas coisas: ou o Brasil finalmente toma vergonha na cara (ou, pelo menos, a sede dos Jogos) ou o mundo inteiro vai finalmente ver os podres mais vergonhosos da Cidade Não Tão Maravilhosa Assim.

E é justamente esse o problema. Conhecendo o Brasil, é fácil notar que, embora haja muita coisa boa por aqui, não somos um país maduro o suficiente. Não sabemos lidar com a posição que temos no mundo, não sabemos lidar nem mesmo com nossa própria riqueza. Nosso povo não dá valor ao próprio país e, enquanto não desenvolvermos a consciência de que temos que valorizar o que é nosso, nunca vamos sair do lugar.

Claro, a esperança é a penúltima a morrer. Mas quando o assunto é Brasil é bem difícil acreditar...

Thursday, September 03, 2009

99 anos de Corinthians

Ser corinthiano é aquela coisa inexplicável, aquele estado de espírito agitado e turbulento, a paixão desmedida. Cada corinthiano tem uma história de amor pelo clube, uma dessas razões inexplicáveis para torcer com tanta força por um time que não precisa ser campeão mais vezes que os rivais, nem sequer precisa de estádio para ter a maior torcida em seu próprio estado de todos os clubes brasileiros.

Ser corinthiano é ter a vida marcada igualmente pela glória e pela dor, pela alegria e pelo sofrimento. "Corinthiano, maloqueiro e sofredor, graças a Deus."

E só quem é entende. Não dá pra explicar, ou se é, ou não. A torcida desse time tem seus mistérios, aqueles fatos inexplicáveis, aqueles atos extremos e desmedidos, provocado por um time de futebol. Às vezes nem mesmo o corinthiano compreende de onde vem esse sentimento, mas ele não pode fazer nada senão torcer, espremer os olhos quando o adversário ataca, trocar de canal achando que isso vá mudar a sorte do time, gritar insanamente mesmo sabendo que o alvo de seu grito não pode ouvi-lo. E acaba fazendo parte de um povo que não tem distinção alguma, e cujo entusiasmo incomoda tanto que mesmo quem não gosta de futebol torce contra.

Que outro time de fora do Rio de Janeiro jogou em casa em pleno Maracanã, como fizemos em 76?

Que outro time viu sua torcida aumentar, apesar do jejum de 23 anos sem títulos e do tabu contra o Santos de Pelé?

Daqui a 362 dias serão 100 anos de paixão. Juca Kfouri já colocou em palavras melhor que eu seria capaz: "para o corinthiano ser campeão é mero detalhe.

Razão pela qual o centenário corinthiano deve ser comemorado por si mesmo.

Se junto vierem novas conquistas, muito bem, nada contra.

Mas a maior conquista é estar vivo, há 99 anos, no coração do povo corinthiano.

Com a certeza da eternidade."

Tuesday, August 18, 2009

In favor of consistency

Since I came back from Europe I have been discovering some things about people and about myself that are making some difference on the way I try to live my life.

For one, I realized the obvious - World of Warcraft was consuming my life. Don't get me wrong, the game is awesome, and I love playing it. Also, I met a few amazing people while playing it. However, it's too addictive, and the last thing I need right now is a game with which I end up spending 5-6 hours every day (in-game and otherwise). There is a lot going on in my life and I really can't afford it. My PhD is picking up the pace, I'm trying to reconstruct a few links I lost in the past few months, and quite frankly I need some consistency in my overall way of life.

And consistency is what I realized I needed when I came back. While adapting myself to my current time zone I managed to achieve a decent sleep schedule (even though it isn't a 28-hour day). Before my sleep was somewhat erratic, partly due to my WoW habits. Now I'm usually asleep before midnight and up at 6h30 or so. I have time to properly wake up, take a shower, have a decent breakfast (pretty decent actually, considering the price I pay for it) and get to work before 9 AM (usually way before that, actually). Also, I manage to spend less time on overall procrastination and get some work done. After that things still get a little fuzzy until the end of the afternoon, but I'm working on that. Then I go home, relax for a little bit, do some reading, practice with my guitar, and the day is over.

I can't say it is perfect, but it is certainly way better than what I've been doing before. And, even if I still don't have every hour of the day planned out, it's actually way more than I have ever managed to get done in a spontaneous way. And I'm proud of it, because this helps me get some work done, which in turn gives me that nice accomplishment feeling we get from getting things done, which motivates me to keep on doing this. It's a virtuous circle I'm intent on not only keeping alive but enhancing.

I guess all I needed to get this working was a little motivation - and on this trip to Finland I got all the motivation I needed, and then some. Keeping certain bonds alive is paramount to my plans for the future, and I'm glad I realized that before it was too late.

Thursday, August 06, 2009

De volta.

Cheguei hoje de viagem. Agora o que tenho pela frente é me readaptar ao fuso horário e seguir com o meu trabalho.

Essa viagem foi importante por tantos motivos que não dá nem pra enumerar. O primeiro deles foi matar uma saudade que estava me torturando há dez meses. O curioso é que, agora que estou de volta, nunca essa saudade foi tão forte, nem nunca doeu tanto.

O segundo foi restaurar, pelo menos em parte, algo de que eu não cuidei como deveria - um erro pelo qual quase paguei caro (demais). Para ser honesto, ainda existe aquele pequeno "gremlin" lá no fundo da minha consciência gritando enlouquecido, me perturbando de uma maneira que eu nunca achei que fosse possível. A verdade é que a perspectiva que enfrentei foi terrível, algo que não consigo descrever. A lição que tiro disso é que nunca devemos ter o amor como algo garantido, que vá resistir a qualquer teste que apareça. Ele tem que ser cultivado, alimentado. E tudo o que fazemos ou dizemos conta. No meio do turbilhão em que me encontrava, quase me esqueci disso e pus tudo a perder. E sei que terei pesadelos por muito tempo.

O terceiro foi finalmente perceber que, por mais que o mundo seja um lugar grande, pessoas sempre serão pessoas, educadas ou não, alegres ou não, sem distinções. E que há mais que o velho esquema "escola-cinema-clube-televisão".