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Monday, April 05, 2010

Buenos Aires x Helsinki - round 3

Meu feriado de páscoa se passou, na maior parte do tempo, dentro de casa. Em parte porque o tempo não colaborou muito, e dias nublados favorecem minha preguiça. Ontem, entretanto, o sol apareceu um pouco e resolvi sair pra caminhar um pouco; já fazia algum tempo que eu queria voltar a Puerto Madero e dar mais uma volta por ali.

Depois de almoçar e enrolar um pouquinho acabei saindo de casa e pegando o metrô até a Praça de Maio (onde terminam/começam as linhas de metrô) e fui caminhando até a Puente de la Mujer, que é um dos cartões postais do lugar. Ela foi desenhada para representar um casal dançando tango.

From Chico en Argentina
Atravessando a ponte há uma pequena região com vários prédios corporativos novos, e uma pequena área residencial. Passando por ali tive uma grata surpresa: o Parque Mujeres Argentinas, mais um exemplo de como Buenos Aires é realmente um pedaço da Europa na América do Sul. Um gramado imenso, com muitas árvores e espaços amplos, com pessoas curtindo o domingo de páscoa. Lembrou um pouco o Parque do Ibirapuera, mas sem aquela fixação por funcionalidade - cada pedaço do parque paulistano parece ter sido projetada com algum objetivo específico. Aqui esse não é o caso: trata-se apenas de um espaço amplo e gramado onde as pessoas podem fazer um lanche, jogar bola ou simplesmente tirar um cochilo.

From Chico en Argentina
Dali fui para a Reserva Ecológica Costanera Sur, uma reserva natural "artificial". Digo artificial porque a ilha onde o parque se encontra foi construída com material retirado de prédios demolidos, bem como do desassoreamento do Río de la Plata, durante o regime militar. O lugar foi declarado uma reserva ecológica em 1986 e é o lar de várias espécies selvagens que normalmente não se encontraria em uma metrópole, como salgueiros e acácias e animais como flamingos, garças, patos e papagaios. Mas eu também vi uns preás por ali...
O fato curioso é que isso se encaixa bem com a impressão que tive quando cheguei aqui de que Buenos Aires e Helsinki são cidades parecidas. Buenos Aires tem a Costanera Sur; Helsinki tem Suomenlinna. Claro, há diferenças: no caso finlandês a ilha é natural, e é utilizada já há muitas décadas não somente para propósitos militares mas é considerada uma cidade separada de Helsinki. Entretanto, ambas foram "remodeladas", por assim dizer, para atender a propósitos turísticos e de lazer. Em ambas as pessoas vão passear com cestas de pique-nique, passear de bicicleta, caminhar... enfim, um típico programa de fim de semana, com alguns visuais muito legais (como o da foto acima) e uns pontos realmente muito agradáveis para simplesmente sentar e ficar sossegado, relaxando ou lendo um livro. Suomenlinna, é claro, tem mais atrações e é mais bem cuidada, mas por outro lado estamos falando da Europa, onde as coisas são em geral mais bem cuidadas mesmo - e mais antigas. Isso não torna a Costanera Sur um lugar menos interessante, diga-se de passagem. O lugar é muito bem cuidado, e tem vários pontos excelentes se o que você procura é um lugar sossegado, tranquilo e silencioso, com o som das ondas ao fundo. Mas não é parada obrigatória para quem vem a Buenos Aires.

Suomenlinna, por outro lado, é um must see para quem passa por Helsinki, assim como a feira do porto antigo e a região central da cidade.

Fecho este post com uma foto que tirei com o celular, e que mostra porque os Argentinos têm um excelente senso de humor: o adesivo da janela do metrô com o número de SMS para emergências.

From Chico en Argentina
Kunnes seuraava!

Tuesday, March 23, 2010

Impressões

Venho ruminando este post há alguns dias. A idéia é comparar Buenos Aires com São Paulo, mas em vez de uma comparação direta, vou fazer isso através das coisas que observei até agora.

Uma das primeiras coisas que notei foi a quantidade de táxis nas ruas. É realmente impressionante, para qualquer lado que você olhe dá pra ver pelo menos dois. Eles estão por toda parte. Em ruas mais afastadas do centro eles são menos comuns, mas ainda muitos.

Por falar em ruas, é notável a civilidade do trânsito aqui, certamente bem maior do que eu esperaria de uma cidade do tamanho de BsAs. Quem não está acostumado reclama - dizem que o trânsito é uma bagunça e que andar a pé é perigoso. Certamente não para quem está acostumado com São Paulo. É até meio estranho ver que os pedestres não têm nada a temer ao atravessar a rua quando estão na faixa e o sinal está aberto para eles: os carros param e esperam pacientemente até que seja possível passar. Ninguém reclama, ninguém buzina, quando muito vê-se uma cara feia. Mas eu não arriscaria atravessar fora da faixa ou com o sinal fechado - aí é pedir pra ouvir um monte. Até mesmo os outros pedestres te olham torto. Eu, com minha mania paulistana de andar sempre com pressa, já passei por isso.

Outra coisa notável sobre o trânsito aqui tem a ver com os pedestres. Aqui, como em qualquer lugar, há pessoas que andam devagar, pessoas que andam depressa, pessoas que correm, etc. A diferença é que todas se entendem. Ninguém liga se esbarrar em outra pessoa. É algo que acontece e eles entendem que nem todo mundo anda do mesmo jeito. Já vi gente sair no tapa em São Paulo por muito menos.

Em compensação, é mais difícil respirar por aqui. O ar é realmente mais sujo, muito embora a cidade seja bem menos movimentada. O problema, em grande parte, são os ônibus, que são muitos, velhos e mal-regulados em sua grande maioria. E não têm bilhete único.

Em contrapartida, nunca vi um ônibus sequer lotado a ponto de ninguém mais entrar. As pessoas fazem questão de sair do caminho, ninguém fica aglomerado na porta. E, mesmo que não haja bilhete único, a tarifa é muito barata - custa no máximo 2 pesos (pouco menos que 1 real). Eu disse no máximo porque essa é realmente a tarifa máxima - você paga de acordo com o lugar onde embarca e onde desembarca. É difícil ter certeza se todo mundo realmente paga o que deve, mas a impressão que fica é que ninguém está interessado em levar vantagem.

Aliás, tenho um "causo" pra contar sobre isso. Ontem eu estava voltando para casa e um rapaz notou que havia uma moeda de troco sobrando na máquina (os ônibus só aceitam moedas por aqui). Ele pegou a moeda, chegou pra moça que entrou antes dele no ônibus e perguntou "essa moeda é sua?", e a moça respondeu "acho que não". Os dois discutiram por uns momentos, nenhum dos dois querendo ficar com a moeda, que aparentemente não era de nenhum deles. No fim da contas a moça pegou a moeda e, em vez de ficar com ela, devolveu-a na máquina! Fiquei imaginando como isso teria se desenrolado no Brasil...

E encontrei um pequeno paradoxo por aqui também. Nos bairros mais "nobres" é comum ver as pessoas passeando com os cachorros. Algumas pessoas fazem isso elas próprias, outras preferem contratar "paseaderos" pra fazer isso. O resultado é uma coleção de várias cores, formatos e tamanhos nas calçadas. Como se isso não bastasse, é comum ver alguém jogando lixo no chão. Entretanto, aqui não vejo tantas latas de lixo como em São Paulo. O paradoxo vem agora: tirando as surpresas que os cachorros deixam pra trás, as calçadas aqui são mais limpas que as de São Paulo. Vai entender.

Por enquanto é isso. Não é tudo que tenho pra falar, mas o resto é tema para outros posts.

Hasta luego.

Monday, March 15, 2010

Mais passeio

Hoje saí à tarde de novo pra dar mais uma volta pela cidade, mas dessa vez fiquei mais por perto de casa. Queria dar uma volta pelas ruas próximas pra me localizar, ver como é o trânsito durante a semana, me acostumar com os nomes das ruas, essas coisas. Aproveitei pra ver onde ficam bancos, mercados, lavanderias, essas coisas. Com a minha sorte, é claro q não consegui o que queria no Itaú, vou ter que encher o saco deles pra ver o que há de errado.

From Chico en Argentina


Aproveitei também e fui caminhando até a Praça das Nações Unidas, onde fica um dos monumentos que são símbolo de Buenos Aires, a Floralis Generica, uma gigantesca flor de metal que se abre de manhã e se fecha à noite. Aproveitei pra descansar um pouco debaixo da sombra de uma árvore enquanto observava o movimento (muita gente vai pros parques e se espalha nos gramados, é bem legal).

From Chico en Argentina
Depois disso continuei andando, e aproveitei a proximidade pra visitar o famoso Cementerio de la Recoleta, que é provavelmente o primeiro lugar que os turistas vêem quando chegam aqui. É um lugar realmente impressionante, os mausoléus ali são imensos (várias fotos no meu Picasa) e muito decorados. Mas o mais visitado deles é um pouco mais humilde, e fica um pouco escondido em uma rua mais lateral do cemitério, embora dê pra perceber logo de cara porque sempre tem gente na frente, é o de Evita. É impressionante o poder que esse lugar tem, os argentinos realmente veneram essa mulher.

E agora, chega de passeio por enquanto. Por enquanto, a impressão de que BA e HKI são parecidas continua.

Buenos Aires

Cheguei a Buenos Aires no sábado. Foi tudo tranquilo, o vôo foi bastante sossegado, e cheguei sem problemas até o apartamento onde vou morar pelos próximos três meses. É bastante confortável, espaçoso e as pessoas são amigáveis.

Amanhã é que a coisa realmente começa, pois vou começar a trabalhar (espero) e a rotina vai realmente começar a se encaixar. Até agora tudo não tem passado de um fim de semana de passeio. Pelo menos a rotina do trabalho pode me ajudar a superar o estresse de estar em um lugar completamente diferente, sem pessoas conhecidas por perto.

O que posso dizer depois de pouco mais de 36 horas em Buenos Aires é que, realmente, estou na Europa Sul-Americana. É uma expressão meio estranha, mas bastaram algumas horas de caminhada pelas ruas daqui para eu me lembrar de Helsinki. Talvez seja apenas coincidência, mas a arquitetura daqui é inconfundivelmente européia, e Buenos Aires (assim como Helsinki) é uma cidade litorânea com uma zona portária recheada de parques. Certamente não toda ela, e salvas as devidas proporções. Além disso conheci bem pouco da costa propriamente dita (meu passeio por Puerto Madero foi bem rápido), mas pretendo mudar isso assim que possível.

Claro que tudo isso é apenas minha primeira impressão; conforme o tempo passar vou saber melhor as diferenças e semelhanças entre as duas, e no fim das contas pode ser que eu não ache as duas cidades nem remotamente parecidas. Essa sensação que tenho pode ser simplesmente devida ao fato de eu estar em outro país. Veremos.

Tuesday, February 16, 2010

Life Trek - Boldly Going Where I've Not Gone Before

Passarei os meses de outono em terras portenhas!

Durante os meses de março a junho estarei residindo em Buenos Aires, e com alguma sorte vou colocar aqui algumas notas sobre essa experiência. Quem sabe assim, pelo menos, dou uma justificativa mais honesta à existência deste blog. Não que eu espere receber muitas visitas, mesmo porque blogs sobre a Argentina e Buenos Aires não faltam (é só jogar no Google e você vai encontrar alguns ótimos, como Buenos Aires, queridos, Buenos Aires Dicas e o excelente Cartas Argentinas).

Por enquanto, é isso. Fiquei enrolando pra ver se saía alguma coisa que prestasse para escrever aqui, mas na falta de idéias é melhor não enrolar, senão acabo falando bobagem.

Tuesday, January 05, 2010

Feliz 2010; 2010 Feliz?

2009 para mim acabou oficialmente no início de dezembro, com o fim de uma história desgastante e complicada cujas origens ainda são nebulosas, e que provavelmente permanecerão assim. O detalhes dessa história merecem não ser contados aqui, mesmo porque trata-se do tipo de informação que está a salvo do caráter expansivo e intrusivo da Internet pelo menos até que Gaia se torne Galaxia.

Comecei o ano passado esperando que, depois do tumulto em que minha vida se transformara na segunda metade de 2008, tudo fosse diferente. Eu esperava que fosse difícil, pois as condições iniciais não eram boas, mas eu esperava que tudo seguisse um determinado caminho. O problema, que infelizmente percebi tarde demais, é que não adianta esperar que tudo mude, porque nada muda, exceto eu mesmo (e, consequentemente, a maneira como vejo o mundo). E, como não poderia deixar de ter sido, isso transformou 2009 em um pesadelo do qual eu não via saída. Passei pelos momentos mais difíceis da minha vida (em todos os sentidos).

A melhor decisão que já tomei foi procurar tirar algum proveito disso. Eu sabia que era a decisão correta a tomar, porque senão todo o sofrimento teria sido em vão, e eu acordaria do pesadelo tendo desperdiçado uma oportunidade que talvez nunca mais se repita. Por isso, fui em frente.

Saí de 2009 fortalecido, muito embora eu queira nada mais que esquecer o ano que passou. Na prática, é claro, isso não vai acontecer. Ele estará marcado para sempre na minha memória. E, de certa forma, isso é bom, pois não somos senão a soma de nossas lembranças.

2010 já começou, e embora eu não queira criar expectativas, sei que será diferente, porque, ao contrário de 2009, eu sei de onde deve vir a mudança.

Friday, December 04, 2009

Recebi no spam

O texto abaixo veio numa mensagem de uma pessoa de quem nunca ouvi falar, na qual meu endereço de email não estava… vai entender. Pelo menos a anedota é divertida…

> CONVERSA ENTRE DUAS AMIGAS MORTAS ( PREMIADA NO FIP DE 2009 EM PARATY)
>
>
> -Morri congelada.
>
> -Ai que horror !!! Deve ter sido horrível ! Como é morrer
> congelada?
>
> -Bom, no começo é muito ruim: primeiro são os arrepios,
> depois as dores nos dedos das mãos e dos pés, tudo
> congelando.
> Mas, depois veio um sono muito forte e eu perdi a
> consciência.
> E você, como morreu ?
>
> -Eu ?
> Morri de ataque cardíaco.
> Eu estava desconfiada que meu marido estava me traindo.
> Então, um dia cheguei em casa mais cedo, corri até ao quarto e ele
> estava na cama, calmamente assistindo televisão.
> Ainda desconfiada, corri até o porão para ver se
> encontrava alguma mulher escondida, mas não encontrei
> ninguém.
> Depois, corri até o segundo andar, mas também não vi
> ninguém.
> Então, subi até o sótão e, ao subir as escadas,
> esbaforida, tive um ataque cardíaco e caí morta.
>
> -Puxa, que pena...
> Se você tivesse procurado no freezer, nós duas estaríamos
> vivas!

Sunday, November 22, 2009

Fim de ano, #1

Sentado no sofá da sereia
com um livro ou um conto, e um café no ponto
espero cair, melancólica, a areia

Monday, November 09, 2009

The trouble with tribbles

Saturday, October 17, 2009

Google Wave, primeiras impressões

Comecei a usar o Google Wave há alguns dias.

Por enquanto, ainda há aquela sensação de entusiasmo com a novidade, a curiosidade de explorar cada aspecto do sistema novo. Mas algumas coisas já ficaram bem claras. A primeira delas é que o Google Wave deixa muito a desejar no quesito desempenho. Um computador um pouco mais antigo terá dificuldades em lidar com o sistema, que tem um tempo de resposta bem ruim, principalmente levando em conta as suas pretensões.

O sistema de "threads" é bem interessante. Não sei se ele será toda essa revolução que o Google tem alardeado por aí, mas ele certamente vai fazer a diferença. Mas a grande fonte da flexibilidade desse sistema, os gadgets e bots, ainda requerem muito trabalho. Os gadgets nativos do Google até agora funcionaram a contento, embora não tenham demonstrado muita desenvoltura. Os bots, ou gadgets feitos por terceiros, são outra história. Em geral eles mal funcionam, e alguns deles eu não consegui fazer funcionar de jeito nenhum. Boa parte do sucesso do Wave depende deles começarem a funcionar - e a funcionar bem. Não apenas do ponto de vista operacional, mas também em tratando-se simplesmente de adapatar a plataforma do Wave a um "modus operandus" adequado, de maneira a abrir possibilidades para que sistemas diversos possam ser integrados a um mesmo wave.

Ao mesmo tempo, uma das coisas que ficou imediatamente claras é que há certas coisas que foram equivocadamente associadas ao Wave. Por exemplo, não acho que seja possível - nem que faça sentido - integrar Google Reader e Google Wave. Pelo menos, não de maneira direta. Seria interessante um gadget que pudesse pegar um ou dois itens isolados do Reader para servirem como recurso dentro de um wave, mas algo além disso simplesmente não faria sentido.

Mais importante, a integração do Twitter ao Wave é precária, na melhor das hipóteses. Do jeito como está agora isso não poderia ser feito de uma maneira que não fosse impraticável. Isso, claro, supondo que Tweety the Bot funcionasse direito.

Mas, como diz o título ali em cima, estas são apenas primeiras impressões, e faz apenas uns dois dias que estou "na onda". Além disso, por enquanto trata-se apenas de um preview, e por isso tenho certeza de que muita coisa ainda deve mudar conforme o sistema for evoluindo, supondo que os desenvolvedores dêem ouvidos a quem já está "surfando".

Thursday, October 15, 2009

More a test than a post

Although this is more of a test than a real post, I wanted to put something here anyway.

It’s not easy coming up with stuff to write in a blog. Anyone who has ever had one knows it. Especially if it’s not a theme-oriented enterprise, but just some place where one would like to register a few thoughts about whatever topic comes to mind.

Of course, I could write about my work – but that would take too much time to write in a few minutes. Or, I could talk about my own personal issues, but they’re just that – personal. So, no. My whole idea about a blog would be to write about interesting stuff from my own point of view, but to be honest I haven’t been having much time for much…

Anyway, just as I was typing the last sentence above I received my invitation to Google Wave. So I guess now there’s something cool to rant write about!

Finally I will get the chance to try it out and see if the hype is deserved. Even though I would like to start “fresh” I am already assuming that the hype is deserved, based on what I’ve seen around the web.

Sometime soon I will post my first impressions about it.

Wednesday, October 07, 2009

Vida Senóide

Eu estava, ainda agora, olhando posts antigos aqui do blog.

Impressionante como as coisas mudam tão radicalmente no curto período de um ano. Em outubro de 2008 houve um único post aqui. Foi um texto de André Comte-Sponville, que vi pela primeira vez no pôster que foi exibido no casamento do meu irmão, no mesmo dia em que defendi meu mestrado, uma semana após a morte do meu pai.

Acho que nunca serei realmente capaz de descrever com propriedade a sensação de perder meu pai. Por mais que tenha sido, até certo ponto, algo previsto com alguns anos de antecedência, ainda assim foi algo para que não pude me preparar.

A verdade é que foi uma época tão conturbada na minha vida que sinto orgulho de, no fim de tudo, ter conseguido permanecer em pé.

Ironicamente, é justamente isso que me persegue agora.

A grande razão pela qual eu tive forças para seguir em frente, para não desistir e não baixar a cabeça, embora estivesse fisicamente longe, nunca estivera tão próxima de mim. Mesmo que fosse apenas um chaveirinho sem graça. Porque aquele chaveirinho era, naquele momento, tudo o que existia de certo e verdadeiro no mundo para mim.

Ainda assim, o tempo foi passando e a falta de contato direto aos poucos foi reclamando sua parcela. E quanto ele finalmente aconteceu, tudo ficou estranho. De repente a conexão que eu sempre achei que suportaria tudo se mostrou frágil. Pior, fragilizada. E agora me assombra a incerteza do que pode acontecer daqui pra frente, pra não falar da sombra do que aconteceu no passado.

Por um lado isso é até bom, essas situações nos levam a reavaliar as atitudes do passado, e assim passamos por aquele crescimento pessoal tão característico das épocas ruins.

Mudei muito nos últimos tempos, mas a pessoa que mais deveria ter visto isso não viu. E agora o que mais temo é ser julgado pelo que eu era, e não pelo que eu sou.

Friday, October 02, 2009

Rio 2016... so what?

Ok, então finalmente o Rio de Janeiro conseguiu emplacar uma candidatura e (provavelmente vencendo pelo cansaço) conseguiu ganhar a eleição de sede das Olimpíadas de 2016.

Por um lado, isso não deixa de ter um lado positivo (afinal de contas, alguma coisa de bom os eleitores devem ter visto pra decidir votar no Rio). Eu mesmo acho que existe uma pequena chance de isso trazer boas coisas para o Rio de Janeiro e para o Brasil em geral. Afinal de contas, os Jogos Olímpicos não são um evento "pequeno" como os Pan-Americanos. O mundo inteiro estará com os olhos voltados para cá. Isso significa uma de duas coisas: ou o Brasil finalmente toma vergonha na cara (ou, pelo menos, a sede dos Jogos) ou o mundo inteiro vai finalmente ver os podres mais vergonhosos da Cidade Não Tão Maravilhosa Assim.

E é justamente esse o problema. Conhecendo o Brasil, é fácil notar que, embora haja muita coisa boa por aqui, não somos um país maduro o suficiente. Não sabemos lidar com a posição que temos no mundo, não sabemos lidar nem mesmo com nossa própria riqueza. Nosso povo não dá valor ao próprio país e, enquanto não desenvolvermos a consciência de que temos que valorizar o que é nosso, nunca vamos sair do lugar.

Claro, a esperança é a penúltima a morrer. Mas quando o assunto é Brasil é bem difícil acreditar...

Thursday, September 03, 2009

99 anos de Corinthians

Ser corinthiano é aquela coisa inexplicável, aquele estado de espírito agitado e turbulento, a paixão desmedida. Cada corinthiano tem uma história de amor pelo clube, uma dessas razões inexplicáveis para torcer com tanta força por um time que não precisa ser campeão mais vezes que os rivais, nem sequer precisa de estádio para ter a maior torcida em seu próprio estado de todos os clubes brasileiros.

Ser corinthiano é ter a vida marcada igualmente pela glória e pela dor, pela alegria e pelo sofrimento. "Corinthiano, maloqueiro e sofredor, graças a Deus."

E só quem é entende. Não dá pra explicar, ou se é, ou não. A torcida desse time tem seus mistérios, aqueles fatos inexplicáveis, aqueles atos extremos e desmedidos, provocado por um time de futebol. Às vezes nem mesmo o corinthiano compreende de onde vem esse sentimento, mas ele não pode fazer nada senão torcer, espremer os olhos quando o adversário ataca, trocar de canal achando que isso vá mudar a sorte do time, gritar insanamente mesmo sabendo que o alvo de seu grito não pode ouvi-lo. E acaba fazendo parte de um povo que não tem distinção alguma, e cujo entusiasmo incomoda tanto que mesmo quem não gosta de futebol torce contra.

Que outro time de fora do Rio de Janeiro jogou em casa em pleno Maracanã, como fizemos em 76?

Que outro time viu sua torcida aumentar, apesar do jejum de 23 anos sem títulos e do tabu contra o Santos de Pelé?

Daqui a 362 dias serão 100 anos de paixão. Juca Kfouri já colocou em palavras melhor que eu seria capaz: "para o corinthiano ser campeão é mero detalhe.

Razão pela qual o centenário corinthiano deve ser comemorado por si mesmo.

Se junto vierem novas conquistas, muito bem, nada contra.

Mas a maior conquista é estar vivo, há 99 anos, no coração do povo corinthiano.

Com a certeza da eternidade."

Tuesday, August 18, 2009

In favor of consistency

Since I came back from Europe I have been discovering some things about people and about myself that are making some difference on the way I try to live my life.

For one, I realized the obvious - World of Warcraft was consuming my life. Don't get me wrong, the game is awesome, and I love playing it. Also, I met a few amazing people while playing it. However, it's too addictive, and the last thing I need right now is a game with which I end up spending 5-6 hours every day (in-game and otherwise). There is a lot going on in my life and I really can't afford it. My PhD is picking up the pace, I'm trying to reconstruct a few links I lost in the past few months, and quite frankly I need some consistency in my overall way of life.

And consistency is what I realized I needed when I came back. While adapting myself to my current time zone I managed to achieve a decent sleep schedule (even though it isn't a 28-hour day). Before my sleep was somewhat erratic, partly due to my WoW habits. Now I'm usually asleep before midnight and up at 6h30 or so. I have time to properly wake up, take a shower, have a decent breakfast (pretty decent actually, considering the price I pay for it) and get to work before 9 AM (usually way before that, actually). Also, I manage to spend less time on overall procrastination and get some work done. After that things still get a little fuzzy until the end of the afternoon, but I'm working on that. Then I go home, relax for a little bit, do some reading, practice with my guitar, and the day is over.

I can't say it is perfect, but it is certainly way better than what I've been doing before. And, even if I still don't have every hour of the day planned out, it's actually way more than I have ever managed to get done in a spontaneous way. And I'm proud of it, because this helps me get some work done, which in turn gives me that nice accomplishment feeling we get from getting things done, which motivates me to keep on doing this. It's a virtuous circle I'm intent on not only keeping alive but enhancing.

I guess all I needed to get this working was a little motivation - and on this trip to Finland I got all the motivation I needed, and then some. Keeping certain bonds alive is paramount to my plans for the future, and I'm glad I realized that before it was too late.

Thursday, August 06, 2009

De volta.

Cheguei hoje de viagem. Agora o que tenho pela frente é me readaptar ao fuso horário e seguir com o meu trabalho.

Essa viagem foi importante por tantos motivos que não dá nem pra enumerar. O primeiro deles foi matar uma saudade que estava me torturando há dez meses. O curioso é que, agora que estou de volta, nunca essa saudade foi tão forte, nem nunca doeu tanto.

O segundo foi restaurar, pelo menos em parte, algo de que eu não cuidei como deveria - um erro pelo qual quase paguei caro (demais). Para ser honesto, ainda existe aquele pequeno "gremlin" lá no fundo da minha consciência gritando enlouquecido, me perturbando de uma maneira que eu nunca achei que fosse possível. A verdade é que a perspectiva que enfrentei foi terrível, algo que não consigo descrever. A lição que tiro disso é que nunca devemos ter o amor como algo garantido, que vá resistir a qualquer teste que apareça. Ele tem que ser cultivado, alimentado. E tudo o que fazemos ou dizemos conta. No meio do turbilhão em que me encontrava, quase me esqueci disso e pus tudo a perder. E sei que terei pesadelos por muito tempo.

O terceiro foi finalmente perceber que, por mais que o mundo seja um lugar grande, pessoas sempre serão pessoas, educadas ou não, alegres ou não, sem distinções. E que há mais que o velho esquema "escola-cinema-clube-televisão".

Sunday, June 28, 2009

Levante a mão quem nunca tentou o moonwalk

Não sei qual a média de idade com a qual o gosto musical de uma pessoa começa a se formar. Na minha experiência, isso nem mesmo é algo que se define em algum momento e passa fundamentalmente o mesmo durante a vida - meu próprio gosto passou por várias transformações ao longo dos anos.

Uma coisa é certa, nunca fui um grande fã do pop. Com uma exceção óbvia: Michael Jackson. Não sei dizer ao certo como comecei a gostar da música dele, mas é certo que ela dominou a minha pré-adolescência. Uma das memórias mais claras que tenho daquela época é a de, no intervalo das aulas, ficar ensaiando os passos de dança no corredor da escola, recoberto de azulejo vermelho, bastante liso e propício para deslizar os pés no moonwalk.

Foi ao som das músicas dele, também, que aprendi os primeiros rudimentos do inglês. Quantas horas não pratiquei ao cantar junto com as letras de Beat It, Thriller, Black or White, entre tantas outras! Beat It, em particular, é parte integrante da trilha sonora da minha vida - o riff inicial evoca inúmeras memórias bastante antigas, e sempre traz um sentimento nostálgico.

Com o tempo meu gosto foi mudando e gradualmente acabei me afastando um pouco dessa linha, seguindo outros estilos. Ainda assim, acompanhava à distância as notícias que apareciam a respeito dele, e me entristecia ao ver que, com o passar dos anos, os aspectos mais negativos de sua personalidade começaram a se sobressair sobre seu talento, e considero que a maior parte da responsabilidade sobre essa transformação é de sua família, que não apenas se mostrou incapaz de fornecer o apoio necessário de que uma pessoa na posição dele tanto necessitava, mas deliberadamente o reduziu a uma síntese do seu talento, minimizando a importância de manter um lado "normal". Além da família, o outro grande culpado foi a mídia paparazzi, esse setor sujo e medíocre da imprensa que sobrevive das desgraças pessoais de pessoas públicas, cujo único objetivo é ganhar dinheiro às custas da privacidade das pessoas, que alimenta as excentricidades e atitudes desconexas de uma "estrela", aproveitando-se do aspecto triste e perturbador das pessoas que não se contenta em submeter ao mais invasivo dos escrutínios todos os detalhes das vidas privadas das pessoas que cometem o erro de tornarem-se bem sucedidas.

Mas, à parte esse pequeno discurso moralista, não pretendo aqui fazer nenhuma análise da vida ou da morte de Michael Jackson. Quero apenas deixar registrada a marca que ele teve em minha vida, através especialmente da sua música, sem a qual as décadas de 70, 80 e 90 teriam sido completamente diferentes.

Não pretendo acompanhar o espetáculo triste que se seguirá à sua morte, algo que tem se tornado a regra na imprensa mundial e que francamente acho abominável: a idéia de que é necessário divulgar todo e qualquer detalhe que se descubra a respeito de qualquer aspecto que seja remotamente relacionado ao assunto. Acho triste esses plantões de notícias em que detalhes mínimos são revelados, como por exemplo a tal fita com a gravação da ligação para o telefone de emergência. Esse tipo de informação não serve para nada, e só consigo vê-la como justificativa para a existência de mais canais de notícias que é possível acompanhar.

Prefiro me lembrar dele pela sua música, porque no fim das contas, é isso que importa.

Pra finalizar, fico com o twitter de Shanna Moakler: "The hard thing about getting older is watching all those who inspired you pass".

Tuesday, June 02, 2009

Not ready yet.

I'm supposed to write a long, introspective post here. This is not it.

There is a post I've been meaning to post here for some time now. A post with the intention to summarize all that happened during the last 12 months and, most importantly, what I have learned from that.

But I'm still not ready to write it. I still don't feel comfortable at all around this subject. Sometimes I'm just numb enough not to think about it, and sometimes it still feels like everything happened yesterday. I still haven't felt like anything is ok. At all.

More recently I've been able to get by most of the day just fine. But it's not a stable equilibrium - a small thing can trigger an emotional avalanche that overwhelms me and I can barely manage it. I have been subjected to such a nuclear blast - in so many different ways - that I still haven't had time enough to restructure myself.

Hopefully sometime this year I will be able to break this spiked shell I have gotten myself into and get to move on with my life. Right now, everything just seems to be on hold - even as everything keeps spinning.
Blogged with the Flock Browser

Friday, May 29, 2009

Testing Flock

As usual, I'm not satisfied with stuff in my computer.

For some reason there's always something I feel could be better in my computer. A program that could be doing stuff it does not but would be useful to me, a way it should behave or something else.

I'm not complaining. This is actually simply the statement of a fact. One that I consider a good thing, to be sure. It means I'm always looking for ways to make things better.

This time I'm testing a new web browser. I've been experimenting with a few of them for the past few months, until finally giving up on Safari a couple of weeks ago, mostly because of its huge hard disk requirements - that page thumbnail feature seemed very cool, but it never really worked for me and took up enormous space (almost a gig!). So, I uninstalled Safari.

I also ended up removing Google Chrome. Even though I think it's the best looking browser of them all - good enough for me to get a FIrefox theme that simulates Chrome.

A while ago I was reading the Linux Magazine and found out about Flock. It seems to work on a different idea from Chrome. Google's browser relies on simplicity and minimalism. Flock, by its turn, is meant to integrate everything in its interface, from regular browsing to social networks, media sites, news feeds, e-mail, and so on.

I have just downloaded and installed it, and am using it right now to write this post. We'll see how it turns out.
Blogged with the Flock Browser

Tuesday, May 12, 2009

Star Trek: Reboot

Esse deveria ser o título do novo filme, tamanha a bicuda que J.J. Abrams deu no canon. Eu poderia fazer um post gigantesco aqui sobre o filme, comentando todas as referências malucas (desde as óbvias às obscuras, embora dessas eu conheça poucas), mas já tem bastante coisa rodando a rede (por exemplo, por um trekkie e por um não-trekkie

Por isso, contento-me com duas palavras:

DO
CA
RA
LHO